Quando um homem sofre com assédio e cantada na rua

O post em que eu explico porque mulher não gosta de cantada na rua viralizou essa semana. E, como era de se esperar, estou recebendo um milhão de comentários, entre mulheres que se identificaram com o texto, homens sem noção achando que estamos todas mentindo ou exagerando e gente refletindo sobre como elogiar alguém de um jeito legal e não invasivo.

Muitos compartilharam comigo este vídeo, que coloca um homem no lugar de uma mulher e mostra o tipo de incômodo que a gente sofre diariamente, e também um tipo de violência que, infelizmente, já aconteceu com muitas de nós.

Achei curioso e bastante inverossímil, justamente porque homens não passam por situações como ter que olhar pro lado antes de abrir um botão a mais da camisa por calor, para que não confundam com provocação e mexam com você, ou então ter suas escolhas questionadas por se vestir demais ou de menos, como na cena com o rapaz muçulmano. Claro que esse é justamente o objetivo: causar um estranhamento e dizer “magina, isso é um absurdo” para que a gente pensa “se achamos um absurdo isso acontecer com um cara, porque não achamos o mesmo quando acontece com uma mulher?”.

Por outro lado, acho que não mostra direito a questão do medo que a gente sente. Porque a vítima dos assédios no filme é maior e mais forte que as pessoas que o assediam. A gente, quando é assediada, é geralmente por alguém maior e mais forte, e que poderia facilmente nos bater ou forçar algo a mais. Tenho pavor só de pensar…

De qualquer maneira, é um bom filme para o exercício de se colocar do outro lado. Fiquei aqui pensando que bom seria um mundo em que a gente pudesse correr sem camisa num dia quente de verão, como qualquer homem faz, sem ser alvo de gracinhas e obscenidades (não tô nem falando em olhares). E como seria horrível um mundo em que nós, mulheres, fôssemos tão mal-educadas como certos caras são com a gente nessa questão da cantada na rua, do assédio, de achar que se vestem e saem na rua só pra serem avaliados por nós. Credo…

E vocês, o que acharam do vídeo?

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15 thoughts on “Quando um homem sofre com assédio e cantada na rua

  1. Sou homem e entendo o que mulheres passam qndo levam cantadas na rua… não me acho bonito, mas já aconteceu comigo mais de 1x de estar andando e um grupo de pelo menos 4 mulheres assediarem forte, com palavras obscenas… realmente não é algo que se sente bem, isso que o homem nem tem o grande medo do estupro e td mais… mesmo uma mulher sendo menor, mais fraca, em grupo eu poderia não ter chance… na hra me senti estranho, um tanto invadido e apenas fiz o que mtas mulheres fazem, olha fixo pra frente e continua andando… apesar de ser em menor escala, eu compreendo isto…
    Olho para mulheres?? olho, não adianta, qndo uma mulher é muito bonita olhar é muito bom… mas nunca saí por aí “elogiando” e claro nunca toquei em ninguém sem permissão, sem a mulher tb querer… acho que talvez as mulheres deveriam tentar se juntar mais vezes em grupos e fazer dessas como fizeram comigo pq me acharam bonito, quem sabe os homens entenderiam melhor a situação.

  2. sinceramente, acho a atitude machista ridícula, e que deveria ser punida de acordo.
    Mas eu acho que, se você quer, que corra atrás.Depois de conquistar o direito a voto, o que as mulheres fizeram com esse direito? E o que poderiam ter feito?
    As mulheres ainda são maioria no Brasil, mas ao invés de escolher o candidato mais apropriado, muitas preferem votar em outro, só por ser mulher.
    Absolutamente TODOS os problemas(desigualdade, preconceito, corrupção, tráfico de drogas, etc) da sociedade, podem, e deveriam ser resolvidos na urna.
    Se todos soubessem o verdadeiro poder de seus votos, ninguém teria de ouvir/falar a respeito de estupro, abandono de animais e blá blá blá.

    1. Oi, Guilherme. Este post é uma das maneiras de “correr atrás” desta mudança, ao gerar a reflexão e, quem sabe, mudança de comportamento em quem antes achava normal passar cantada na rua. Quanto às urnas, concordo com você: é importantíssimo a gente votar com responsabilidade. Sou muito aberta quanto ao meu posicionamento político e escrevo sobre isso de vez em quando: http://cintiacosta.com/category/portugues/politica-2/. Abraços!

  3. Bom, vou tentar comentar por partes e explicando o que achei de cada cena. Bom, como homem, muitas mulheres vão achar meu comentário ridículo, mas vamos lá.

    1º diálogo: Não compreendi muito bem o que se passou ali, quando ele conversou com a mulher velha, sinceramente se alguém puder me explicar, agradeço.

    2º: Quando a mulher veio correndo, eu sinceramente não achei ofensivo, e não acharia caso acontecesse comigo, ela elogia o cara, não vejo problema nela correndo sem camisa, nem nada.

    Sobre a cena que ele passa e a mulher fica cuidando ele na rua: Bom, eu sinceramente também não achei ofensivo, ela tá olhando pq gostou, se gostou, por mim pode olhar.

    Nissar: O que eu entendi dessa cena, foi que o homem estava de burca representando as mulheres que usam burca, eu acho, então o personagem critica a maneira dele se vestir, pelo fato de estar calor e ele estar de burca. Realmente, eu acho ridícula a ideia de usar burcas e afins, eu acho que cada um deve se vestir da maneira que bem entende e quer.

    Sobre a mendiga: Ela pediu pra chupar o pau do cara, no meu caso eu dava pau pra ela msm -qn
    Então ela diz que viu ele mexendo a bunda na frente dela, bom, nesse caso eu nunca vi acontecer, de um mendigo ou um homem falar isso, ou algo semelhante, sinceramente nunca vi, porém eu imagino que aconteça, logo que isso foi retratado pelo vídeo, isso eu achei bem escroto.
    Então ela fala das roupas dele, e depois do corpo, manda ele embora, e diz que precisa de “hot men” que no caso são homens bonitos.

    Sobre a mulher urinando no beco, sem comentários.

    Então as mulheres falam: E aí bonitão, e começam a falar dele, olha, se isso acontecesse comigo, confesso que eu ia olhar pra elas, dar um sorrisinho e sair, mas não um sorrisinho amarelo, um sorriso mesmo, por mais que elas tenham usado de palavras obscenas, bom, eu nunca recebo elogios, algo como isso até me faria sentir melhor.

    Então ele começa a retrucar, e discutir, porque ele se ofendeu, bom, então ele irrita elas, e elas estupram ele, eu acho.

    Então ele dá queixa na polícia, e a delegada, bom, acho que era uma delegada, pede um café pro guri e elogia ele, bom, ela elogiou ele de uma forma leve e não ofensiva.
    E ela questiona a veracidade do estupro dele, entre outras coisas, chega a mulher dele e eles têm aquele diálogo do final.

    Minha opinião: retratou bem como as mulheres são tratadas, sim, eu percebo isso sendo homem, sim, eu olho, não, eu não digo nada, dou apenas uma olhada discreta, como eu disse antes, eu gostei, vou olhar uma ou duas vezes, o problema é quando tomam atitudes, como as mulheres do beco, mas sinceramente se uma mulher me cantasse na rua eu pegava ali mesmo, mas claro, ela teria que ter ao menos uma beleza mediana, eu não ia olhar o caráter dela por uma cantada na rua.

    1. Esse video é bem bacana para se ter uma idéia. Principalmente a parte final do video
      “Para. Imagina isso todos os dias desde que tinhas 11 anos. Agora imagina que não sejam todas mulheres lindas da sua idade, e sim, senhoras adultas, meninas ou avós (..) soma-se que era apenas uma coisa, que não podia votar, que era feita apenas para limpar a casa, cuidar de filhos, que sua mulher usasse e abusasse de você. Que poderiam te maltratar, e que merecias, por ser homem.” Eu acrescentaria “some-se que tenha desde pequena aprendido a se proteger e a ficar “esperta” para não ser estuprada, que tenha total consciência que lhe podem machucar, que estupram não só com penis, mas com facas, que podem te cortar, te bater, te estrangular e que frequentemente até te matar e você nunca sabe quem dirá só :”oi, amor” ou quem irá te seguir e te empurrar e forçar contra uma arvore qualquer. Soma-se ainda que conheça vários casos de pessoas que foram estupradas, ou que apanhem em casa. Soma-se que você malhou e tal e achou que ficava bonito com alguma roupa, mas tem sempre que pensar bem antes de vestí-la por que acharam que a está vestindo apenas para que mulheres te olhem, te cobicem e pra algumas que você está pedindo para ser estuprado. Soma-se que todos os dias você vê casos em internet e telejornais de homens estuprados, mortos, esfaqueados e que as mulheres a sua volta repliquem “ah, é muito é um vagabundo um cara desse, agora fica ai de mimimi, ou coisas do tipo.” Imagina que fosse mais fraco que 90% das mulheres de modo que se quisesse impedir ou correr teria chances muito pequenas de escapar. Imagina que muitas vezes que se perdesse ou não entende-se algum assunto lhe dissessem: “Ah! Só podia mesmo ser homem.” Será mesmo que você não acharia nada demais nesses “elogios” ou em olharem por que gostaram?
      Muitas vezes a gente passa por um caminho mais longo para ter que evitar passar por onde tenham vários homens. Muitas vezes a gente chega no nosso ponto de onibus rezando para que no caminho ninguem te encoche ou te passe a mao. Muitas vezes a gente troca aquela roupa que tinha ficado fabulosa e tinha feito a gente se sentir super bem porque quer evitar olhares. É terrível.

  4. Quando ando na rua e vejo uma mulher bonita, olho, olho mesmo. Bem no olho. Mas cantada, mesmo, nunca dei. Primeiramente, não tenho coragem e também, acho invasivo, há também a questão da violência, em que as pessoas fazem de tudo para evitar estranhos, tem também a questão de ser a mulher o sexo frágil e ter medo de ser estuprada, entre outras coisas. Mas o contrário já aconteceu algumas vezes, já recebi cantada de mulher. É uma sensação difícil de descrever, é como se a “ordem natural das coisas” estivesse invertida. Dá muita vergonha na hora, mas faz bem para o ego.

  5. Muito bom o vídeo. Aborda uma questão que me incomoda muito como mulher, me incomoda tanto que estou começando a ficar na defensiva e não aceitar gentilezas de homens educados, como os que oferecem lugar em ônibus. Isso é ruim. Não quero ter medo de todos os homens que não conheço, mas a dura verdade é que infelizmente eu tenho. Medo mesmo, medo de estupro. Que mundo traumático e imundo em que vivemos, em que nosso inconsciente, nosso instinto de proteção nos diz que todo homem pode ser um potencial estuprador? Esteja eu com 8 ou 80 anos?
    É muito ruim ser assediada. Você se sente um pedaço de m****, desrespeitada, vulnerável e suja. Creio que estamos caminhando muito lentamente para um melhora real. O que precisamos é falar mais sobre isso e convencer primeiro as próprias mulheres que elas não são as culpadas quando sofrem assédio.

  6. …assédio é péssimo mesmo….inclusive também pode ser interpretado como assédio quando o homem segura a porta do elevador, ajuda a descarregar a bagagem pesada, entra na casa da vizinha para furar a parede e pendurar um móvel,….depende da interpretação da mulher e do juiz(a)….enfim, o mais correto é evitar muita aproximação…..

    1. Oi, João. Você está confundindo gentileza com grosseria. Você pode ser gentil com qualquer pessoa, a qualquer momento. Mas ficar mexendo com elas na rua, assediando com comentários desnecessários e fazendo com que se sintam inseguras, aí já não pode. É deselegante, desagrável e o contrário de gentileza.

      1. Se oferecer para carregar peso para você pode ser entendido como grosseria. Basta que a mulher entenda que o homem está sugerindo que ela é um ser débil e inferior que não tem condições de carregar peso por ser mulher. A mesma coisa pode ser dita de um comentário na rua. “Bom dia, linda!” é só um elogio mesmo, mas se você está decidida a ver cabelo em ovo como no caso de se oferecer para carregar peso aí você vai ver assédio e grosseria em todo o lugar.

        Aliás, se oferecer para carregar peso também pode ser entendido como cantada. Um sujeito estranho invadiu seu espaço com “clara intenção” de conseguir sexo. Um machista tarado escroto tratando mulher como objeto, com certeza. Se for feio, é claro, do contrário é galanteio. Se for feio e pobre, aí é tentativa de estupro. Prende que um Frankestein inútil desses não tinha nem que estar andando no meio da mulherada.

        1. Oi, Ricardo. Seu comentário só pode ter vindo mesmo de alguém que não entende o que é ser mulher e andar na rua. Não é uma ofensa a você, é uma constatação. A gente anda com o cu trancado de medo, é muita notícia de assédio e estupro por aí, e aí vem um desconhecido querer abordar a gente pra “elogiar”. É invasivo, sim, desperta medo, raiva, vontade de mandar à merda. Evite. Deixe para elogiar mulheres que você conhece ou que estejam em situação de paquera, que aí tem receptividade. Beijo.

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