A favor da vida… de quem?

Mães pró-escolha

“Mãe, por escolha e pró-escolha”

Acabei de ler que caminha na Câmara o projeto de lei medonho que pretende  incluir o aborto ser na lista de crimes hediondos no Brasil e estou absolutamente chocada.

Basicamente, o projeto de lei Projeto 478/07, chamado de Estatuto do Nascituro (íntegra aqui) transforma toda interrupção da gravidez (inclusive em casos de estupro, risco de vida para a grávida e anencefalia do feto, que hoje em dia é permitida por lei) em crime passível de pena de até três anos na cadeia e defender publicamente o direito de abortar, um crime passível de até 1 ano de prisão.

Quem está propondo e defendendo esse projeto de lei são as pessoas que se dizem “a favor da vida“. Juro que não entendo vocês.

Primeiro, vocês se juntam aos milhares em Brasília para protestar contra o direito de uma mulher abortar quando não deseja continuar a gravidez e não deseja ter o bebê – seja porque corre risco de vida, porque a gravidez foi uma das consequências de um abuso sexual, porque carrega um bebê anencéfalo e não quer passar por nove meses de gravidez para ver a criança morrer em questão de horas, porque não tem condições financeiras ou porque não tem o menor desejo de ser mãe naquele momento da vida.

“Tadinho do bebê, deixem ele nascer, não tirem a vida dele, ele não tem que pagar pelo fato de seu pai ter estuprado sua mãe e ela não querer nenhuma lembrança daquele dia! E dá um salário mínimo pago pelo estuprador (apesar de ela não querer ter o menor contato com ele nunca mais na vida) pra ela não reclamar que tá faltando dinheiro… E por que matar o bebê para salvar a vida da mãe? Deixa Deus decidir quem vai morrer naturalmente! E se a mãe não tem desejo de ter filhos ou não tem condições financeiras de criar, deveria ter pensado nisso antes de engravidar, e, mesmo assim, ela pode dar o filho para adoção.”

Aí os bebês nascem e as famílias sem condições financeiras recebem auxílio do Governo baseado no número de filhos (como o Bolsa Família) e vocês reclamam dessa “vagabundagem”, não querem ver o “dinheiro dos seus impostos” sendo dado como “esmola para gente que só sabe fazer filhos”.

Depois, alguns desses bebês cuja vida vocês defenderam com tanto afinco, crescem num ambiente totalmente desajustado (com uma mãe que não os quis ter, ou sem mães, órfãos largados na rua ou esquecidos em algum orfanato) e alguns deles ingressam no crime, e aí vocês querem reduzir a maioridade penal e jogar todos na cadeia o quanto antes.

E, por fim, não querem que o governo gaste nem mais um centavo com esses meninos prisioneiros e riem do povo dos direitos humanos que denunciam condições precárias nas casas de correção e cadeias.

Ai eu lhes pergunto, meus queridos: vocês são a favor da vida de quem? Da mãe que não é… da criança, aparentemente, também não, porque assim que ela nasce, deixa de ser objeto da preocupação de vocês. Da vida de vocês, talvez?

Porque filho na barriga do outro é refresco, né? Se for você aí, que ficar grávida nas circunstâncias erradas (seja por acidente, ou com um cara com quem você não quer ter filhos, ou por abuso sexual ou como for), e quiser ir em frente com a gravidez, ninguém vai te impedir caso o aborto seja legalizado.

Agora, se você, moça de classe média que me lê, decidir interromper a sua gravidez, você vai poder fazer isso tranquilamente. Clandestinamente, claro. Porém, com um mínimo de dinheiro no bolso, você consegue descobrir e pagar alguém que faça direito e discretamente e não vai correr risco de vida.

Já a mulher pobre que deseja interromper a gravidez e não tem grana, no desespero, apela para métodos caseiros (introdução de objetos pontiagudos na vagina ou ingestão de remédios que provocam hemorragia) ou vai parar nas mãos de pilantras açougueiros em clínicas sem as mínimas condições sanitárias. E morre. Morrem aos baldes. Tem que considere essas mortes um castigo divino, o que eu acho curioso, já que é uma punição que só atinge a mulherada pobre – e o Deus que eu conheço nunca foi de fazer distinção entre ricos e pobres… E agora vocês querem mandar as que sobreviverem para a cadeia.

Já que a bancada evangélica adora uma passagem bíblica para justificar projetos de lei e protestos (apesar do Estado ser laico), termino com um versículo que eu gosto muito para esta discussão: quando a gente condena um bebê indesejado a nascer para sofrer e ser privado de felicidade, “até um bebê que nasce morto é mais feliz que ele” (Eclesiastes 6:3).

Em tempo: ser pró-escolha significa ser a favor de que toda mulher seja senhora do próprio corpo e tenha o direito de decidir interromper uma gravidez indesejada de maneira segura e legalizada.

Foto: daqui.

98 thoughts on “A favor da vida… de quem?

  1. Pingback: Anônimo
  2. “E por que matar o bebê para salvar a vida da mãe? Deixa Deus decidir quem vai morrer naturalmente!” Parei de ler nessa frase. Não sou nenhum ateu e nem nada do tipo, mas sinceramente? Depois de tantas coisas bem escritas, algo tão ignorante assim estragou a ideia do texto.

    1. Oi, C.A.! Acho que você devia terminar de ler o texto para entender que essa frase é justamente o argumento de quem se diz “a favor da vida” e é contra a legalização do aborto, e não meu ponto de vista!! Concordo com você! Ah, e por aqui você pode assinar com seu nome de verdade… Ninguém precisa ficar anônimo :).

  3. Concordo que fetos mal formados,mulheres estupradas e onde a risco de vida para a mulher a gravidez deve ser interrompida,mas colocar o aborto como método anti concepcional sinceramente é um absurdo.Nos dias de hoje existem milhares de métodos e quase todos gratuitamente p as mulheres de baixa renda,e ainda existe a pílula do dia seguinte,e quem pagaria os abortos?o sus que já tem um atendimento tão precário?somos sim donas do nosso corpo por isso temos que aprender quando e se queremos ser mães sem fazer que o aborto entre na lista de método p evitar filhos,não creio que este problema seja questão religiosa mas simplesmente uma questão de responsabilidade e respeito pela vida,que as pessoa ”homens e mulheres” porque gravidez não se faz sozinho tome as devidas precauções para que não aconteça uma gravidez indesejada.

    1. Oi, Denise! Obrigada por deixar seu comentário :). Eu concordo com você: aborto não deve ser um método anti-concepcional banalizado. Mas não é proibindo as mulheres de decidirem se querem ou não levar uma gravidez para frente que se revolve essa questão! Nenhuma mulher aborta banalmente: mesmo quando é feito de maneira segura e legalizada, é um procedimento incômodo e exige uma decisão bem pensada…
      E, pelas estatísticas de abortos em países em que é legalizado, vemos que o número de abortos realizados não aumenta só porque a lei permite – mas o número de mulheres mortas por consequência de abortos mal-feitos cai drasticamente. É por isso que é uma decisão tão ligada à mulher: apesar de ser necessária a participação do homem para se engravidar, a gravidez afeta apenas o corpo da mulher e só ela pode morrer caso o aborto seja inseguro (o homem sairá ileso). Seja sempre bem-vinda para comentar por aqui, seja pra concordar ou discordar 😀

      1. Não existe método contraceptivo 100% confiável. Pílula falha, e falha muito mais do que se imagina. Você pode tomar direitinho. Mas existe algo chamado ‘interação medicamentosa’, que pode fazer com que um simples antibiótico faça com que o efeito da pílula vá por água abaixo. E por aí vai. Sou contra aborto como método contraceptivo, e não acredito que nenhuma mulher decida abortar feliz da vida. É uma decisão difícil. Aliás, o mesmo país que quer proibir o aborto em qualquer circunstância, inclusive para vítimas de estupro (quer aberração maior do que essa?), é mesmo cujos CRMs da vida se metem e não deixam com que eu faça uma laqueadura. Por ter 37 anos e não ter filhos. Mas eu não quero ter filhos! E agora, como faço? Confio na pílula e na camisinha? Se os métodos falharem serei obrigada a ser mãe mesmo não querendo? Pra mim pior violência é obrigar uma mulher a ser mãe. Mais violência ainda é obrigá-la a parir um ser que não vai viver (no caso dos anencéfalos), ou a manter uma gravidez vindo de um estupro. A legalização do aborto não é obrigação de fazer o aborto. Esse projeto de lei é uma aberração…

    2. Prezada Cíntia,

      Creio que os argumentos em prol do aborto em casos de risco de vida para a mãe, anencefalia e estupro sejam em si bastante contundentes. Contudo, há muita subjetividade em aspectos como “gravidez indesejada”. Não tenho o intuito de discorrer exaustivamente sobre o tema, mas gostaria que você analisasse o tema com maior profundidade, mesmo porque você se coloca no papel de formadora de opinião (pelo simples fato de expor suas ideias em um blog). Minha esposa está grávida de (apenas) 8 semanas, e já é possível ver claramente que há uma vida em atividade sendo formada. A verdade é que o feto não tem como se defender. Sinceramente, não vejo muita diferença, em casos genéricos de “gravidez indesejada”, em proceder a um aborto ou em matar o recém nascido.
      É fato que o Projeto na Câmara é absurdo. Mas permitir que “cada mulher possa decidir por si mesma” é uma visão demais simplista. É presumir que a vida do feto pertence à mãe. É, em si, criar esteios à negação do direito à vida.

      Abs,

      Renato

        1. nem sei porque o assunto rende tanta discussão, uma vez que está se discutindo o direito ao aborto, que interessa apenas a quem arca, de verdade, com a gravidez. Métodos contraceptivos são falhos, em menor ou maior grau. Em caso de estupro não cabe nem falar nesses métodos. A mulher se torna mãe a partir do momento da concepção. O homem só vira pai, só se quiser, se não tiver mais nadapra fazer. É sempre uma opção. É como dizem por aí: se homem engravidasse o aborto seria obrigatório. De qualquer forma, já assinei no avaaz a petição contra o projeto do estatuto do nascituro. Quem concordar, vai lá. São necessárias 100 mil assinatura e já pssou de 75 mil. Abraço

      1. Oi, Cíntia.

        Acabo de ler o estudo por você indicado. A despeito de expor uma realidade bastante cruel às mães abortivas, creio que apenas tangencia o assunto aqui discutido. O que está em pauta, salvo melhor juízo, são os motivos que possam embasar a escolha pró-ativa da mãe em relação ao aborto. E fundamentar a “pró-escolha” no risco da mulher sofrer danos à sua saúde (inclusive com risco de morte) quando incorre em abortos “clandestinos” é errar em cima de outro erro. O que está em pauta é o mérito em si. E isso tem mais a ver com valores morais da sociedade e com o respeito à vida (do feto e da mãe, logicamente).
        Raramente escrevo em blogs ou em posts alheios – em especial no que concerne a assuntos polêmicos como este. Minha única consternação foi acerca de um eventual poder de influência de seu texto, fato que, em minha opinião, poderia levar uma mulher a matar o seu filho por uma decisão subjetiva, por vezes imatura e irresponsável. Reconheço sua inteligência e seu poder de argumentação, em especial em prover respostas enviesadas em com óticas parciais acerca dos comentários aqui escritos.
        Estou seguro de que um maior amadurecimento irá deslocar sua percepção na direção do equilíbrio. Peço que pense na consequência de suas palavras, quando tocar em um assunto que talvez careça de maior análise.
        No mais, parabenizo-a por trazer à baila um assunto ainda polêmico e que urge de discussão pela sociedade.

        Grande abraço,

        Renato

    3. Não creio que a autora tenha sugerido que o aborto seja método contraceptivo, ao menos não foi o que entendi.
      Mulheres não fazem filhos sozinhas e acidentes acontecem. Quem não lembra da pílula de farinha? Quem nunca viu camisinha estourar?
      Quanto a financiarmos os abortos através do SUS… bem, eu já financio Bolsa Família e também a inseminação artificial gratuita no SUS. Pelo menos assim estaria financiando algo que eu apoio.

      1. Éris, você trouxe mais um ponto interessante para a discussão: o governo arca com custos de aborto de qualquer maneira, ja que, quando a mulher tem complicações ela vai para o hospital. A interrupção segura de gravidez é uma questão de saude publica!

      2. bom dia Éris concordo com vc que métodos falham,mas é minoria,e quanto a financiar o aborto tudo bem né já pagamos mesmo bolsa família,auxilio p tantas outras coisas,mas já parou p pensar como seria? até o sus ter uma vaga p atender um caso de aborto a criança já teria nascido e estaria com 3 anos de idade,no Brasil não existe prioridade p urgencias não é mesmo?

    4. Tenho a mesma opinião que a tua, Denise Vitor, e acho importante repetir: uma coisa é aborto em caso de gravidez por estupro, gravidez de risco e anencefalia, outra é usar isso como MÉTODO ANTI-CONCEPCIONAL. Ninguém precisa se sujeitar a uma cirurgia, que não deve ser barata nem fácil, pra retirar um feto quando existe anti-concepcionais, que até mesmo são dados pelo governo para mulheres sem condições. Precisamos aprender a ter responsabilidade quando se trata de sexo, já que o aborto é uma medida extrema, quando não temos mais nenhum outro recurso (falo isso, não por religiosidade, até porque me considero agnóstica, mas por esse ser um procedimento cirúrgico e de risco, como qualquer outro).

  4. Muito bom seu texto, parabéns. Deixo meu poeminha…
    Elegia ao Estatuto
    Foi estuprada? Tem nada não, ele vai pagar pensão.
    Pariu, mas não quer? Bota no orfanato, mulher.
    Mas peraí,como fica o homem nessa história? Não mete ele nisso, vc que é escória.
    Mas isso não é justo. Pq tudo cai pro meu lado? Pq vc nasceu no país errado.

    1. Oi Bellona! Realmente, você tocou num ponto que nem lembrei, nessa história toda: o homem. Dizem por aí que, se homem engravidasse, aborto seria um direito fundamental e inalienável. Tenho certeza que seria mesmo assim…

    1. Oi, Marco: seu comentário sintetiza tudo o que eu defendo como pró-escolha: “resolva você mesma”. É isso. Que cada mulher possa decidir, sem que o Estado ou os religiosos queiram decidir por elas.

      1. Cíntia, não foi isso que o nobre colega Marco quis dizer em seu comentário. O fato é que a liberdade de um cessa quando inicia o direito do outro.
        Vejo virtudes em seu posicionamento. Você está em um extremo – o autor do Projeto na Câmara, em outro. O mérito, sem dúvida, está no meio termo. Até que cheguemos ao ponto de equilíbrio, ambas as posições equivocadas terão de se tornar flexíveis. O problema são as vítimas que ficam pelo caminho.

        1. Oi, Renato! Exato, o problema são as vitimas. Fico triste em ver que todo mundo morre de do dos fetos mas não ta nem ai pras mulheres que morrem aos baldes – acham até que é castigo de Deus. A liberdade da mulher termina onde o Estado começa a regular o seu corpo.

    2. Concordo com o “resolva você mesmo” então, porque vocês, religiosos se metem na vida das pessoas sãs?

      Porque não podem deixar o seu deus castigar as pessoas após a morte?

      Ninguém vai ser obrigado a abortar.

      E, se você apoia a proibição do aborto em caso de estupro, anencefalia, risco de vida maternal, você não é apenas um fundamentalista fanático que acredita que meia dúzia de células são “um bebê”, você é um monstro misoginista.

      1. Oi, Renata. O que faz você pensar que eu não leio a respeito dos assuntos sobre os quais escrevo? Além, claro, do pré-conceito que você demonstra em relação às pessoas pró-escolha, ao julgar que somos desinformados… Bom, eu já assisti a esse vídeo que você recomenda e continuo defendendo o direito de escolha da mulher e a soberania sobre o próprio corpo! Garantir o direito ao aborto legalizado e seguro salva milhares de vidas de mulheres!!!

  5. Gente realmente o assunto é polêmico… Não estou aqui para manifestar a minha opinião, mas primeiramente devemos ver as informações citadas no texto onde foi muito bem defendido o ponto de vista da autora. Não podemos tirar uma frase deslocada da bíblia e colocarmos em um outro texto sem antes considerar o que TODA mensagem da onde a frase foi retirada quer dizer:
    Para quem tiver curiosidade:”Vi um mal debaixo do sol, que calça pesadamente o homem. Isto é, UM HOMEM A QUEM DEUS DEU SORTE, RIQUEZAS E HONRAS, E NADA QUE POSSA DESEJAR LHE FALTA,mas Deus não concede o gozo, reservando-o a um estrangeiro.Isso é vaidade e dor. Um homem, embora crie cem filhos, viva muitos anos, durando longamente os dias de sua vida, se não puder fartar-se de seus bens e não tiver tido sepultura eu diria que um aborto lhe é preferível. Porque é em vão o fato de o aborto ter vindo e ido para as trevas. Seu nome permanecerá na obscuridade. Não terá visto nem conhecido o Sol. Melhor é a sua sorte que a deste homem. E, mesmo que alguém vivesse duas vezes mil anos, sem provar a felicidade, não vão todos para o mesmo lugar?”( Eclesiastes, cap. 6, versículos do 1 ao 6).
    Sendo assim, me pergunto a que tipo de homem a passagem bíblica se refere… A um que Deus deu plenas condições estruturais e materiais de vivência e não soube aproveitar a situação privilegiada ou a um ser que vem ao mundo por um motivo não planejado, acidental…
    Afinal não sabemos da onde viemos e para onde vamos, mas como saberemos se não tivermos a chance de vir?

    1. Oi, Gabi. Conheço o contexto do versiculo, e entendo que o espirito dele esta no trecho “sem provar a felicidade”. O versiculo não esta mandando ninguém abortar, mas mostra que o aborto não é o fim do mundo… Beijos

  6. Meu Deus! Que triste! Não discuto nem a interrupção da gravidez por causa do estupro, mas dizer que o aborto é uma escolha da mulher por que não tem condições de criar… fala sério! As condições se criam. Vamos trabalhar, né!? Eu mesma quando engravidei eu e meu namorado (hj meu marido) não tínhamos nenhuma condição de criar um filho, mas o que fizemos? Meu filho nasceu, arregaçamos as mangas, vamos ao trabalho diário… Hj meu filho tem três anos e é a felicidade da minha vida, pois devido a problemas de saúde não posso mais ter filhos – e só tenho 25 anos!-

    1. Oi, Ana! Fico feliz que vocês tenham dado um jeito de criar seu filho e criado um lar para ele!! Mas vejo que você tem um estereotipo de que gente pobre é gente que não se esforça. Acho que não deve ter convivido muito com mulheres realmente pobres, dessas que trabalham feito loucas e, mesmo assim, não conseguem sustentar a propria familia. E, de qualquer maneira, se uma mulher não quer um filho, seja la pelo motivo que for, e se ela ficou gravida sem querer (porque querer fazer sexo e querer ter filho são coisas muito distintas – que o digam os homens, né?), ela deve ter total autonomia sobre o proprio corpo… Lembrando que engravidar sem querer é bem facil, e ter um filho não deve ser um “castigo” por uma mulher ter ousado transar. Falo so da mulher, porque pro homem é mais facil: se ele não quer o filho, simplesmente vira as costas, recusa a paternidade e vai embora.

      1. Gente, um ponto importante de um discussão que muita gente esquece, principalmente na internet, é que não importa o quão maravilhosa e fantástica é sua história pessoal – ela simplesmente não deve influenciar na liberdade de outra pessoa. Se a sua história é boa ou ruim, se a sua subjetividade é assim ou assado, a do outro é diferente, então esses contos não costumam ter serventia alguma. Fim.

  7. Oi Cíntia!

    queria agradecer por um texto tão lúcido e bem colocado. tomei a liberdade de divulgar ele no facebook (com o link pra cá, claro). compartilhei também um outro texto seu sobre o casamento gay. muito bom seu blog, adorei.

    beijos

  8. Não concordo com este estatuto, de jeito nenhum, até porque não é tão fácil assim entregar uma criança para adoção neste país. (sempre vai ter alguém dizendo para deixar nascer e depois dar para adoção). Aliás, fazem tanta força no Brasil para deixar a criança com a família biológica, mesmo que desajustada, que quando disponibilizam para adoção, a criança está grande e ninguém quer adotar. Mas com certeza, homens e mulheres devem ter amplo esclarecimento e acesso às técnicas de planejamento familiar para que o aborto seja feito realmente em último caso.

    1. Oi, Alexandre! Ah, mas certamente a esquerda ja rendeu textos melhores, afinal eu não sou nenhuma intelectual. Sou uma mulher comum, como tantas outras, que defendo o direito de sermos senhoras do nosso proprio corpo. E se você acha que a questão do aborto não tem nada de classe social, deve morar em outro planeta… Beijos!

  9. Concordo completamente com o texto! Não sei se vou aguentar viver num país em que se eu sofrer o que, pra mim, seria a violência mais extrema e traumática da vida, vou ter que além de superar o ato em si, ter que possivelmente carregar pra vida uma outra pessoa pra te relembrar pra sempre que aquilo aconteceu. Não entendo essa coisa de ficar tapando o sol com a peneira. Não quer que abortem? Vão ensinar a fazer planejamento familiar! Sinto muito se a religião diz que tu não deve fazer sexo a menos que seja pra reprodução, o mundo não funciona mais assim há tempo demais pra isso ser um argumento válido ou sequer uma possibilidade. Não consigo entender tamanho retrocesso. O mundo mudou. Aceitem!

  10. Oi Cíntia!

    Que pena sua mãe não ter tido o direito de te matar né? Será que ela faria isso se soubesse que poderia e que a filha dela lutaria por esse direito? hihi

    Ser a favor do aborto é tipo não dar valor a sua própria existência.

    Minha filha, melhore.

    1. Oi, Lucas! A minha teve, sim, a opção de me abortar. Afinal, ela tinha um minimo de condições financeiras e, se quisesse interromper a gravidez, o teria feito e teria sobrevivido. Mas ela estava pronta para ter um filho naquele momento, planejou a gravidez e me teve. Se ela não tivesse me tido por escolha propria, não seria o fim do mundo… E eu dou muito valor à minha existência e também a de todas as outras mulheres, por isso que quero acabar com as mortes resultantes de abortos mal-feitos!

  11. Oi, querida.
    Antes de mais nada, queria responder a sua pergunta: nós somos a favor da vida humana em geral. Da vida da mãe, da vida do filho e (por que não?) da nossa vida também. Em uma gravidez muito complicada, quando a mãe corre risco real de morrer, ela tem o total direito de abortar, pois está, antes de tudo, defendendo a sua própria vida. Isso, entretanto, sobre hipótese alguma representa um direito da mulher sobre o seu corpo: a criança não faz parte do corpo da mulher, ela é uma vida alheia, apesar de, nos meses de gestação, depender totalmente da mãe.

    Na verdade, quem aqui só pensa na sua própria vida são vocês, abortistas. Uma mulher querer abortar, matar uma criança (formada ou não) simplesmente porque não está preparada para ser mãe é, no mínimo, um absurdo. Três anos de cadeia não é nada. Quantos anos de cadeia uma mãe leva ao matar seu filho recém-nascido a sangue frio? Aliás, qual é mesmo a diferença entre esses último dois crimes? Talvez apenas o fato de um ser visto, e o outro não. É como escolher matar alguém enterrado vivo ou fuzilado: qual das duas formas é mais cruel? Pra vitima, com certeza ser enterrado vivo. Pro assassino, entretanto, é mais fácil fazer dessa forma. Afinal, qual a que é menos perceptível aos seus olhos? Assim acontece com o aborto e o assassinato de uma criança. É inaceitável e doentio matar um bebê fofinho de 1 semana de vida, mas é só retroceder alguns meses de vida deste que o discurso muda completamente.

    Sinto uma consternação imensa ao lidar como pessoas como você, sinto uma vergonha alheia infinita. O engraçado, entretanto, é que, mesmo assim, não penso: “ah, se ela tivesse sido abortada”. Afinal, desde que se tenha vida, sempre haverá uma chance de ser o melhor possível.

    No mais, você pode até não ligar para nada que eu disse, mas te peço apenas para assistir a esse vídeo. Você não tem nada a perder, se seu argumento, para você, for o verdadeiro.

    1. Oi, Leticia! Essa mania que vocês tem de vir me trazer esses videos é engraçada e mostra que, na cabeça de vocês, nos somos desinformadas. Pois eu te digo: ja assisti a esse filme e a milhares de outros, ja li tudo que se pode imaginar e continuo defendendo que a mulher seja dona do proprio corpo e tenha o poder de decidir quando interromper uma gravidez de forma segura e legal. Abraço!

      1. Não acredito que você seja desinformada. Mas, se for verdade mesmo que você “já leu tudo que se possa imaginar” acerca do aborto e continua o defendendo, tem algo errado aí. Pois isso significa que você continua a achar que uma vida é menos importante que um suposto direito da mulher, o que é uma pena. Talvez você tenha lido só pra dizer que leu, mas não se aprofundou nos estudos. Ou talvez você só queira mentir pra si mesmo e continuar acreditando que o feto não é uma vida, pra conseguir encostar a cabeça no travesseiro tranquilamente todas as noites. Parafraseando e parodiando o título do seu infeliz post, deixo o questionamento: A favor da vida de quem? A favor do direito de quem?

        Não é porque uma coisa é legalizada que ela é correta, em todos os aspectos. Um assassinato cometido pelo governo na ditadura não é contra a lei. E nem por isso ele deixa de ser errado e absurdo. Mesmo se o aborto for legalizado em todos os sentidos, ele continuará a ser algo absurdo e inconcebível a nível humano. Matar alguém não é nem nunca será o direito de ninguém, mesmo que isso seja legalizado. Não representa a raça humana e, claro, não me representa. A defesa da vida do feto em todos os aspectos não é algo dogmático do sentido religioso. As pessoas que defendem a vida não são, necessariamente, cristãs. A defesa da vida é algo dogmático do sentido moral, do sentido humano. E é uma grande tristeza ver as pessoas lutando para poderem matarem outras. Na verdade, já é um grande absurdo isso ter que ser proibido por lei. Deveria vir escrito no coração de cada um.

        É, realmente, uma pena ver como as coisas estão. Porém, já que se faz necessário, vou lutar até a morte para que isso nunca seja aprovado. Se hoje virou modinha defender o “a liberdade de escolha” da mulher, vou continuar defendendo a liberdade de nascer de todos.

        1. Oi, “Leticia a Jornalista”, como diz seu e-mail. Quando você me diz “talvez tenha lido só pra dizer que leu, mas não se aprofundou no assunto”, me mostra o quanto seu preconceito é enraizado. Eu, que também sou jornalista (diplomada, apesar de achar uma bobeira a exigência de diploma para a nossa profissão), e gosto de estudar os assuntos do meu interesse, como esse.

          Concordo com você: acho uma maldade sem fim as pessoas lutando pelo direito de matar outras. No caso, as milhares de mulheres que morrem todo ano em consequência dessa proibição moralista.

          Pra terminar, só gostaria de ressaltar um ponto importantíssimo: eu não defendo o aborto, eu defendo o direito da mulher decidir sobre seu corpo.

  12. Parabéns pelo blog e pelo texto Cíntia. É exatamente isto. Não há nas posições fundamentalistas uma gota de amor “à vida”. Trata-se de amor ao dogma, tão-somente.

    abraço

    Marcos Rolim

  13. Lindo texto. Mostrou muito bem a questão de pagar o povo para ter filhos, realmente é uma situação complicada, como garantir a dignidade e ajuda para a mãe num abortar sem acabar por criar uma fábrica de crianças sem sem família. Mas enfim eu só gostaria de perguntar porque você num falou que o Estaturo do Nascituro não toca no art. 128 do Código Penal? O qual diz:

    “Art. 128 – Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)

    Aborto necessário

    I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

    Aborto no caso de gravidez resultante de estupro

    II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.”

    Ou quando se fala de aborto num se fala de como ele ocorre? Como disse Dra. Maria José Miranda Pereira:

    “Os métodos empregados usualmente em um aborto não
    podem ser comentados durante uma refeição. O bebê é
    esquartejado (aborto por curetagem), aspirado em
    pedacinhos (aborto por sucção), envenenado por uma
    solução que lhe corrói a pele (aborto por envenenamento
    salino) ou simplesmente retirado vivo e deixado morrer à
    míngua (aborto por cesariana). Alguns demoram muito para
    morrer, fazendo-se necessário ação direta para acabar de
    matá-los, se não se quer colocá-los na lata de lixo ainda
    vivos.”

    Aqui o Código Penal na íntegra pra quem quiser ler:
    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm#art361

    E já que já disponibilizei o Código Penal, vamos à ele:

    “Infanticídio

    Art. 123 – Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:

    Pena – detenção, de dois a seis anos.”

    E por ultimo mas não menos importante

    “Art. 287 – Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:

    Pena – detenção, de três a seis meses, ou multa.”

    eu colocaria aquios direitos já existentes e não serão alterados para as mães (provavelmente deve estar na Constituição Federal), mas eu acho que vcs devem conhecê-los certo?

    1. Sandro, acho curioso que você se sinta tão tocado por essa descrição sobre como morre o feto, mas não tenha a menor comoção ao saber como morrem as mulheres em consequência de abortos mal-feitos – morrem de hemorragia, de infecção, com dor e de forma lenta.

  14. Engraçado, as pessoas só querem remediar, mas prevenir (quase) ninguém quer. Usar camisinha que é muito mais fácil e barato, parece que é uma coisa de outro mundo, é complicado demais pôr a bendita, ou utilizar outro método contraceptivo que, com certeza, é menos dramático do que o aborto, aí quando o desastre está feito, apela-se para tudo. Acho irônico o fato de as pessoas saberem que no Brasil não é permitido o aborto, e se for feito será de forma clandestina, o que gerará grandes problemas para saúde da mulher, e ainda fazem… Ser dona de si é saber da realidade e usufruir o melhor dela, é ter prazer sim, mas se resguardado do mal que aquele momento pode trazer, é decidindo por si e pela outra pessoa (se esta não é lá muito sensata), é dizer ‘não’ quando o outro não é esperto o suficiente ( me refiro aos homens que não gostam de se precaver), enfim, acho que isso não tem muito a ver com a liberdade que se deve a mulher, mas sim a inteligência, a sensatez de se ter uma vida digna e usufruí-la em sua plenitude. Mas não, ainda é mais fácil sofrer, Deus! Como é difícil pôr a bendita da camisinha.
    P.S: Gostei do seu texto, e concordo com você, só acho que as pessoas esquecem das palavrinhas: Inteligência e auto-controle, isso faz todo o diferencial na vida da mulher, e não o aborto ( mas já que a bagaça foi feita, que se corrija o erro enquanto pode).

    1. Oi, Kasi! Concordo que a prevenção anticoncepcional é fundamental. Alias, esta é mais uma forma de a mulher ser senhora do proprio corpo: ter acesso a informação e a métodos anticoncepcionais!!

    2. Mesmo assi, Kasi, você sabe que TODOS os métodos contraceptivos são falhos, em percentuais maiores ou menores, mas são. O fato da mulher ou casal estar usando algum método já é bastante claro da intenção de não ter filhos naquele momento. Quanto ao estupro, não há possibilidade de usar contraceptivo.

      1. Oi, Maria Thereza, você está certa, os métodos são falhos sim, mas as chances de falharem quando bem empregados são mínimas. Mas quanto ao aborto por causa do estupro, realmente é necessário, porque permitir que uma criança cresça dentro de você nessas condições, e viva mal pelo fato da circunstância que a originou, é desgraça em dobro. E chega de inocentes crescerem sem amor, carinho de uma família ( não que haja a impossibilidade dela ser aceita, mas deve ser torturante para a mãe se lembrar do crime que a fez gerar essa criança toda vez que a olha, é lastimável para ambas…).

  15. O que estão esquecendo é que em um aborto, como o que ocorre em países onde é permitido, não se mata bebê ou criança nenhuma. SE ELIMINA UM AMONTOADINHO DE CÉLULAS dentro de um período limite. É isso que acontece, caros, não se trata de tirar um bebê de 6 meses da barriga da mulher e passar por cima dele com um rolo compressor.
    Outra coisa importante para a qual não estão atentando é que a pesquisa e tratamento com células tronco no Brasil ficará travada se essas leis absurdas forem aprovadas.

  16. Oi, eu moro no Canadá, e aqui aborto é legalizado há trocentos anos. Ninguém liga, tem clinicas de aborto espalhadas pela cidade cobertas pelo sistema de saúde (que é público, não existe clínica particular aqui), e é simples assim. Fiz um videozinho bem humorado cobrindo os maiores medos dos brasileiros um tempinho atrás, talvez seja relevante 😉 http://www.youtube.com/watch?v=sOd_eWDoS44

    1. Aodrei o vídeo, Renata, porque, agora, todo mundo já está sabendo o que poderá acontecer no Brasil, caso essas coisas do demo sejam aprovadas (ou, pelo menos, deixadas em paz): na primavera vão nascer flores COLORIDAS. ninguém mais ter filhos (as crianças do vídeo são “importadas”); na época da chuva vai chover e na época da seca não vai chover nada. No inverno vai fazer frio. No verão, as temperaturas vão subir e vai dar praia! Enfim, catástrofe atrás de catástrofe. Portanto, vamos retirar nossas assinaturas da petição contr o PL do nascituro.

  17. aborto não é diferente da mãe que joga o filho dentro de um rio para ser afogado só acontece emum estagio onde o bebe não chora. Ja que é para matar mesmo porque não voltamos ao velho costume de infanticídio romano de filhos indesejados logo apos o nascimento, jogando-os no lixo, em rios, afinal é ate melhor para a mulher porque a interrupção artificial da gravides é muito traumática para a mulher já matar o filho depois de um nascimento normal não vai causar um trauma tão grande no corpo feminino. Ja que ta matando mesmo

      1. não prefiro mulheres sendo jogas no rio, eu estou dizendo ja que é para matar as crianças e regredir no tempo permitindo o aborto, porque não voltar ao metodo romano de infanticio? porque na roma antiga um filho indesejado era jogano no esgoto ( exisitam esgotos naquela época) , em rios, na floresta para serem devorados pelas feras afogados em rios, enterrados na areia do deserto. Porque não é diferente de matar eles no utero, e é ainda melhor porque induzir um aborto é traumático para mulher, para o biológico causa danos, é invasivo, mas depois do parto esses problemas são evitados e se preserva muito mais a mulher. Ja que vai matar o bebe oque importa se é no útero ou fora dele?

      1. Eu não tenho essa dadiva, isso só pertence a mulher é por isso que Eva em hebraico significa vida. e não entendo porque feministas querem tanto se separ a mulher da maternidade se é a única coisa que o homem jamais pode ser igual a mulher, no dêmias somos iguais.

  18. “Depois, alguns desses bebês cuja vida vocês defenderam com tanto afinco, crescem num ambiente totalmente desajustado (com uma mãe que não os quis ter, ou sem mães, órfãos largados na rua ou esquecidos em algum orfanato) e alguns deles ingressam no crime, e aí vocês querem reduzir a maioridade penal e jogar todos na cadeia o quanto antes.”

    Bem então problema é que pobre é sinônimo de falta de caráter e criminalidade? se for por essa logica mulheres não precisam ter direito aborto, a mulher pobre so precisa ser esterilizada antes de começar a ter filhos e a todos os problemas socias desse pais vam ser resolvidos.

    Oque é um pensamento ridículo? não é ja aconteceu antes so que ao invés dos pobres eram minorias étnicas, deficientes congênitos eles forma tachados como incapases de fazer a sociedade evoluir de serem a fonte dos problemas da sociedade e a europa e os EUS manteve programas de esterilizações forçadas e os campos nazistas por fim , justificados pelos cientistas da eugenia.

    Então argumentar que o aborto é bom para pessoas pobres que não tem dinheiro para criar os filhos vai ajudar o pais a ter menos criminalidade pode muito bem evoluir para medidas mais agressivas contra a população pobre poque foi assim que começou as ações cruéis e racistas baseados na eugenia ( ramo da ciência) então não me venha dizer que defender o aborto é algo humano, porque é tão humano quanto os nazistas acham estar sendo..

    1. Danilo, se você acha que desigualdade social não tem nada a ver com crimininalidade, segue uma sugestão de leitura: “Da relação direta entre ter de limpar seu banheiro você mesmo e poder abrir sem medo um Mac Book no ônibus“.

      E você está lendo errado meu argumento: não defendo o aborto, defendo que a mulher tenha a escolha; não considero que aborto seja um modo de controle de população (muito menos de pobreza), mas sei que crianças abandonadas em orfanatos ou nas ruas ou criadas em pobreza extrema combinada com falta de amor por parte dos pais, “coincidentemente”, são a maioria nas Fundações Casa. A mesma sociedade que defende tanto o direito de nascer não dá a mínima para a criação e não chora com um massacre da Candelária… Curioso…

      1. Abortar não vai melhor ou piorar a vida de quem ja vive em pobreza. Os bebes em lar sem amor vão continuar a nascer e os filhos que a mulher não abortou tem a mesma capacidade de virar delinquentes do que os que ela evitar ter porque o que forma um deliquente não é a pobresa e a indeficiencia da familia em passar valores ( na maioria dos casos) e hoje a criação dos filhos está sem quem se responsabilise por eses e eles crecem sem um pai como educador e sem limites, mesmo que não defenda como método de controle populacional seu argumento vem como forma de evitar dificuldades por ter filhos sendo pobre

  19. “Já que a bancada evangélica adora uma passagem bíblica para justificar projetos de lei e protestos (apesar do Estado ser laico), termino com um versículo que eu gosto muito para esta discussão: quando a gente condena um bebê indesejado a nascer para sofrer e ser privado de felicidade, “até um bebê que nasce morto é mais feliz que ele” (Eclesiastes 6:3).”

    “Há um mal que tenho visto debaixo do sol, e é mui freqüente entre os homens:
    Um homem a quem Deus deu riquezas, bens e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, e Deus não lhe dá poder para daí comer, antes o estranho lho come; também isto é vaidade e má enfermidade.
    Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que ele.
    Eclesiastes 6:1-3”

    O texto de eclesiastes não fala que é melhor abortar, ele fala que um homem mesmo que seja rico , tenha filhos, mas que não experimenta a completude com o que tem, é mais infeliz que aquele que não nasceu, porque ao contrio do aborto ele viu o mundo oque tem de bom nele teve tud o para ter completude, e felicidade com o pouco que tinha, passou a vida acumulando bens, se fadigando so para deixa-los para outro que nada fez para o adquirir, se gasta com ilusões de riqueza e poder e deixa de ser verdadeiramente feliz com oque tem e morrer sem ter feito boas coias , perdido a compania do cônjuge, não vou seu filhos aprendo a andar, não os aproveitou, ficou distante de seus pais e irmãos, ou nem teve uma família depois se acha a beira da morte cheio de arrependimentos de coisa que perdeu, deixou de fazer, e de outras que ele não devia ter feito mas fez.

    é isso que Eclesiastes fala, não ha qualquer apologia a aborto como o boçal do Edir Macedo diz.

  20. Prezado Danilo, ninguém está querendo separar mulher de maternidade (embora a separação homem/paternidade seja sempre muito clara). A dádiva de ser mãe (diferente de ter filhos) só pode ser considerada desse modo quando é escolhida, desejada, de preferência compartilhada. Da forma como está no tal estatuto, não há opção para a mulher. Creio que nenhuma de nós opta pelo aborto como contraceptivo. Como mãe de 2 filhas e sogra de uma nora não gostaria de ver nenhuma delas ser considerada criminosa por fazer um aborto, por quaisquer que fossem os motivos que, eventualmente, as levasse a essa opção. O estatuto criminaliza até mesmo falar em público sobre o assunto. Não poderíamos estar aqui, trocando ideia e pontos de vista. Sem discussão, sem debate, sem democracia, enfim, ficamos muito pobres. E, de qq modo, o aborto não será obrigatório, mesmo para os casos já previstos em lei.

    1. Por mim essas partes do estatuto onde se proíbe expressar opinião pode ser cortada, assim como o reconhecimento de paternidade que é absurdo, mas aborto livre não. abortar porque ter um filho agora vai atrapalhar a universidade, porque a pessoas é pobre etc tem que continuar proibido e criminalizado. Eu tolero oque ja existe na lei sobre casos excepcionais, não concordo mas tolero as únicas duas possibilidades,

      O direito da mulher termina onde direito da criança começa que é o direito universal dado a todo o ser humano o direito a vida.

      quanto a separação da mulher com a maternidade é uma briga histórica do feminismo desde sua origem, eu sei porque no modulo de saúde da mulher esse ano enquanto eu estava na enfermagem a coordenadora do modulo era feminista e nos tivemos que pesquisar sobre o movimento feminista e os direitos das mulheres.

      1. Prezado Danilo
        De novo minha resposta é a mesma. O aborto não é obrigatório, mesmo nos casos já previstos em lei. O estatuto do nascituro pretende dar status de sujeito de direito a um projeto de sujeito, que pode não se concretizar de mil maneiras. E, para isso, criminaliza e estigmatiza as mulheres e dá uma espécie de licença para estuprar, uma vez que poderão ser beneficiadas financeiramente. Quanto ao fato de pesquisar e aprender sobre o movimento feminista e os direitos das mulheres, ainda mais na área da saúde, é mais do que necessário,para que se saiba que não é “natural” a discriminação e violência contra a mulher e outras minorias (que podem não ser minorias em números, mas são em vocalização e reivindicação de direitos fundamentais). O que se pretende não é a separação mulher/maternidade, mas sim não ver a saúde da mulher apenas em função do ciclo reprodutivo. Isso é que a coordenadora deve ter tentado explicar. As mulheres também morrem de câncer, de AVC, de infarto, de complicações de diabetes e hipertensão, de Aids – atualmente a maior incidência de HIV é nas mulheres acima de 50 anos, casadas, monogâmicas, que receb o vírus de seus maridos. Então, é isso.

  21. Vocês sabiam que houve tempo que a masturbação era, para a Igreja Católica, crime maior do que o aborto. Aliás o aborto, nesse tempo, não era crime. O esperma era chamado, pelos sábios religiosos, de homúnculo, o esperma era vida. Quanta Ave Maria foi rezada pelo pecado maior da masturbação. Na Idade Média muitos foram punidos coma vida, por praticarem a masturbação. A ideologia religiosa é um atraso, mas é poderosa. A fé é ignorante, não tem base no conhecimento, mas é poderosa. Mas o que fazer? Os pobres de espírito herdarão o Reino dos Céus. E nós aqui no Brasil temos que aguentar os pobres de espírito. E como tem e está aumentando!

    1. A vida de um individuo Começa na fecundação, qualquer outra resposta incorre em erro, porque você como individuo biológico distinto dos gametas paternos e maternos começou na fecundação não quando voce tinha tres meses, não quando seu coração começou a bater na fase embrionaria, mas na fecundação. Então quem propõe um atraso é quem é a favor do aborto porque retrocede a visãos da antiguidade de que so era vivo depois que respirava e ganhava um espirito e assim alguma proteção dependendo da cultura porque para os romanos bebes não eram plenamente humanos e podia ser descartados no lixo.

      Então retrocesso é o abor e não o direito universal a vida do ser humano que cresce no ventre materno

  22. Eu conheço todas as vulnerabilidades da mulher, a mulher tem o direito de decidir ser mãe ou não, mas esse direito termina quando começa do outro começa, e o feto é tão humano quanto a mãe e não a nada que prove contraio essa desumanização é artificial e puramente ideológica.

    Existem abortos naturais e muitas gravidez não terminam, sim é verdade assim como nem todos os bebes sobrevivem ate atingir a idade adulta por n fatores isso não e em ambos os casos não ha justificativa de declara-los sub-humanos.

    Se “bolça estrupo” é um problema é só cortar ela do projeto, mas duvido que isso incentive estupros. mas eu não sou muito a favor de bolças

    Eu me pauto nesse principio : Os filhos em hipótese alguma devem pagar pelos crimes de seus pais. E quando um feto é abortado por motivo de estupro ele está pagando pelo crime do estuprador, porque quem tinha que morrer era o estuprador não feto, mas o estuprador continua vivo para repetir o ato enquanto o feto recebe a condenação capital. o aborto na verdade sempre será o feto pagando pelos erros dos pais, e seu direito a vida sendo negado apesar de ser um ser humano distinto da mãe.

    E no que se refere ao brasil e seus projetos a saúde integral da mulher está tão avançada quanto a da Europa. E Só não temos índices europeus sobre saúde da mulher porque temos uma saúde publica universalmente ineficiente para todos.

  23. Raciocínio imbecil e argumentos ridículos. Você parte do princípio que a criança que cresce num lar desajustado tem MAIOR PROBABILIDADE de ingressar no mundo do crime, mas conclui que o aborto seria melhor, como se TODAS se tornassem bandidas. E quanto às crianças que não se tornam problemas sociais? Além do que, desde quando se mata alguém para prevenção de crimes? Não seja idiota. Tenho certeza que todos que defendem o aborto têm capacidade de enxergar a realidade por trás de suas vãs argumentações. Na verdade, o problema é que vc (e todos os animais que defendem o aborto) só estão preocupados com seu próprio umbigo, com sua carreira, seu dinheiro, seu prazer, sua comodidade. Se tivessem o mínimo de decência, vcs entenderiam que se sua mãe tivesse a mesma idiotice que vcs têm, talvez vcs não estivessem aqui repetindo essas asneiras. Ninguém discute se uma bactéria de apenas UMA célula é uma vida ou não. Mas para satisfazer o egoísmo de vcs, um feto HUMANO é chamado de menos do que uma vida, de “parte do corpo da mãe” que pode ser descartada quando ela bem entender.

    1. Oi, Rafael. Aqui no meu blog, convido as pessoas a expressarem duas opiniões e a debater pontos de vista, mesmo que não concordem comigo. Porém, o principio basico por tras disso é o respeito. Não é chamando as pessoas de “idiota” que você vai agregar alguma coisa à discussão. Então respira fundo ai, lê de novo o texto (ja que você tem um problema de interpretação de texto, se entendeu que eu defendo matar crianças para prevenir crimes) e vem conversar com argumentos de gente adulta e bem educada… Enquanto isso, repito: sou a favor do direito de escolha da mulher sobre seu proprio corpo. Beijos.

  24. Eu acho engraçado (mesmo) é que tem uma galera que faz distinção dos fetos, né? Feto oriundo de estupro, ok, pó ‘matar’ (nao aguento esse ‘matar’). Feto oriundo de uma trepada optativa, aí não… Quem mandou trepar, minha filha?

    Aí eu me pergunto: qual a diferença real entre os dois, minha gente?

    Eu mesma me respondo sem o menor medo de errar: nenhuma!

    Até as 12 semanas de gestação aquela coisinha dentro do útero é só um projeto de gente, não é uma pessoa. Parem de tratar bicho da seda como se já fosse o vestido, plmdds!

    E, olha, vcs que são à favor do aborto no caso x e contra no caso y, tirem vossa hipocrisia do meu caminho! Pq, aí, embora eu não concorde, e lute contra, entendo e acho muito mais digno quem argumenta contra qq tipo!

    E, sim! Eu tenho um filho, planejado, querido e amado!

    E, sim, eu abri mão de ter um outro, pq eu não estava planejando, pq meu contraceptivo falhou e eu não queria ser mãe (melhor motivo pra se fazer um aborto) de novo! E, não, eu não corri risco de vida no meu aborto (e não abortaria se corresse, já que à época eu já era mãe), pq eu tinha 3500,00 dinheiros pra fazer isso de um jeito bem limpinho, dentro de uma maternidade, com um obstetra e toda uma equipe! E, não, por mais que tenha sido uma decisão acertada, ela não foi fácil de ser tomada e, embora eu não me arrependa nem um pouco, abortar foi uma experiência bem punk! Fisica e emocionalmente!

    1. Adorei seu comentário. Chega de hipocrisia, mesmo! Eu, de minha parte mandei e-mail aos membros da ccj, para ver se eles pensam um pouco melhor. Quem puder usar esse meio para pressionar um pouco, acho que não seria ruim. A lista dos componentes está na petição do avaaz – contra o estuto do nascituro.

    1. Não so lembrando que a atual lei é essa, e o problema do brasileiro é não cumprir leis, quando alguém não é preso por aborto nesse pais é pelo mesmo motivo que corruptos não são presos, porque o brasileiro sonega imposto etc. e se eu fosse um delegado ja estava sim casando essa criminosa, porque é oque ela é.

      1. Ser a favor da descriminalização do aborto não é crime e nunca de ver ser, mas fazer um aborto é crime e deve ser punido nos rigores da lei

  25. Excelente texto, Cintia! Fico muito, muito feliz mesmo, em conhecer uma irmã de fé e de coragem como você. Não é porque somos evangélicas que devemos deixar de ser humanas, muito pelo contrário, se seguimos a Jesus Cristo, temo sim que pensar com amor no próximo, mesmo naquele que, assim como nós, é pecador e faz coisas que nós não concordamos.

    1. o fato de teologicamente sermos todos pecadores jamais vai justificar o pecado. Mas a questão aqui é o Direito universal a vida, é incoerente em uma época que se advogue tanto o direito a vida dos animais, não so viver mas ter uma vida longa e saudável sem sofrimento, que se luta contra o uso de animais em pesquisas, Venham -se levantar bandeiras , que seres humanos possam ser descartados e negados o direito a vida de acordo com a conveniência de uma mulher que acha incomodo ser mãe. O feto não é prolongamento da Mãe , Ate a placente é feitas de células do embrião não da mãe. O feto é outro Ser Humano Tão humano quanto a mãe e tem os mesmo direitos.

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