Arquivo da tag: sexo

Relacionamentos não-monogâmicos. Ilutração: Anna Sudit.

Relacionamento aberto: o que é, como funciona, porque tentar ou não

Uma jornalista me ligou hoje para conversar sobre relacionamento aberto (não monogâmico) e eu percebi que nunca falei muito claramente sobre esse assunto aqui no blog. Pois bem… Vamos falar de relacionamento aberto? Continue lendo

Legalização do aborto: argumentos pró-escolha

Legalização do aborto: por que sim?

Vamos falar de aborto?

Outro dia, uma pessoa muito querida e muito religiosa me perguntou no carro: “Cíntia, me explica O QUE VOCÊS QUE DEFENDEM O ABORTO PENSAM? Eu queria entender, de verdade”. Adorei a oportunidade de abrir o diálogo, e compartilho aqui com quem me lê e também queira ouvir/ler. Continue lendo

Orgasmo feminino. Ilustração: Marcy Ann Villafaña.

Orgasmo feminino não é luxo

Vamos falar de sexo? Hora de um papo reto sobre orgasmo feminino. Tava lendo umas matérias por aqui e dei com essa fala da Nicki Minaj: “eu exijo gozar toda vez” (link em inglês).

Gosto dessa entrevista porque eu demorei a entender uma coisa muito importante sobre sexo: tem que ser bom pra mim. Não só de vez em quando, não só quando der. Tem que ser legal sempre. Senão, não tem nem pra que acontecer. Mas não foi sempre assim… Continue lendo

O decote que incomoda

Decote indecente - LuluzinhaCamp para Gabi Butcher/ Dia Positivo Fotografia Foto: Luluzinhas clicadas por Gabi Butcher | Dia Positivo.

Esses dias li notícias muito semelhantes e curiosas sobre a relação difícil dos homens com os decotes femininos.

Renata Fan, por exemplo, é uma jornalista de mão cheia, entende de futebol e tem um emprego cobiçado por muito repórter esportivo. Mas para seu colega de programa, o ex-jogador Neto, que, corrijam-me se estiver errada, fica muito atrás em termos de educação acadêmica e talento para jornalismo televisivo, Fan não passa de uma mulher bonita e gostosa.

Neto constrangeu Fan esses dias pedindo que moça “levantasse o decote”, por que ele estaria “desconcertado”. E não é a primeira vez que o engraçadinho abre a boca pra “elogiar” (tá mais para “assediar”) a jornalista. Outro dia, soltou a pérola “Se eu revelasse meus pensamentos, você estaria pelada”. Finesse, não?

Achei curioso que, no mesmo dia, estava em destaque na home do UOL a notícia de que o Parlamento canadense, incomodado com o decote da deputada Rathika Sitsabaiesan na foto oficial que aparece na área de deputados do site oficial do Parlamento, “photoshopou” a foto e escondeu o decote (apagando a linha que separa os seios e “subindo” a gola da blusa).

Decote de Rathika Sitsabaiesan sofreu photoshopada conservadora

Nunca tinha ouvido falar da moça, mas, fuçando o verbete sobre Rathika na Wikipedia, descobri que é a primeira mulher não-branca em sua posição e também a primeira representante da sua etnia (tamil, que eu também não conhecia) no Parlamento, além de ser a mais nova (29 anos).

Puta papel importante dona Sitsabaiesan está desempenhando. Mas os seios da moça incomodam o parlamento, que acha que não é adequado uma pessoa na posição dela deixar aparecer quatro dedos de “entrepeitos”.

Nos dois casos, a mensagem é a mesma: seios são símbolo sexual e não são compatíveis com situações sérias.

Enquanto um homem pode andar de peito nu em um parque, num dia de calor, espera-se que a mulher dê um jeito de esconder os seios quando está amamentando em público. E mesmo enquanto ela está totalmente vestida, seu decote deve ser controlado, para não “desviar” a atenção dos homens sérios à nossa volta, que são fisiologicamente incapazes de controlar o desejo sexual que é despertado.

Isso me lembra uma discussão levantada em um Outubro Rosa, durante as ações de conscientização contra o câncer de mama sobre o papel dos nossos seios, e destaco um trecho do post da Sam Shiraishi a respeito: “Ainda tem muita mulher que vê os próprios seios como atrativo para o homem, inveja para as mulheres ou simplesmente o alimento do filho. Fora destes contextos, é de ninguém”.

Me incomoda muito o fato de que os homens envolvidos nos dois casos, de Fan e Sitsabaiesan, acharem que pedaços de seios à mostra em inocentes decotes sejam uma provocação.

O que incomoda, de fato: a idéia de que o homem seja fisioligicamente incapaz de domar seus próprios instintos sexuais quando vêem um par de peitos  ou o fato de uma mulher, simbolizada nesta parte tão única e feminina que é o seio, estar ocupando um lugar que nada tem a ver com sexo ou maternidade?