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Ex marido de Luiza Brunet responde judicialmente acusação de violência doméstica, lesão corporal grave.

Não pode bater em mulher

O empresário Lírio Parisotto, acusado de agredir sua ex-mulher Luiza Brunet, será julgado no fim deste mês. Ele responde pelo crime de lesão corporal grave que ela sofreu. A notícia suscitou aquele conhecido chorume que toma conta das caixas de comentários de portal, com gente relativizando a agressão e botando a culpa na vítima.

Portanto, gostaria de relembrar alguns princípios básicos Continue lendo

Porque a novela deve divulgar o Ligue 180, telefone para mulheres agredidas

A tristeza de toda feminista, em geral, é ter fatos que comprovam seus argumentos. Muito triste ter que sair uma notícia de um rapaz de pinto de fora encoxando uma passageira no metrô para que as pessoas entendam de que o que é retratado como engraçado na TV e excitante em uma revista é, na verdade, aterrorizante na vida real.

Mas hoje, temos uma comprovação pra lá de positiva para compartilhar.

Em nota, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) contou que, depois de uma reportagem da Globo no Jornal Hoje sobre a violência doméstica divulgando o 180 (Central de Atendimento Mulher – Ligue 180), houve congestionamento das linhas, com milhares de mulheres ligando para denunciar agressões. Segue o vídeo.

http://www.youtube.com/watch?v=0bAF1H_ANE8

A reportagem, chamada “Maridos são os principais agressores em casos de violência contra a mulher”, foi veiculada no dia 25/10/11, com trechos da novela Fina Estampa, em que uma personagem é constantemente agredida pelo marido e se mantém calada, e mesclou com depoimentos de vítimas da vida real e detalhes da Lei Maria da Penha.

Lembram do ziriguidum envolvendo essa mesma novela e o governo? Há algumas semanas, a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, (a mesma que apoiou as metroviárias no repúdio ao quadro do Zorra Total que faz piada com o assédio sexual nos transportes públicos) enviou um ofício à Globo sugerindo que a Celeste, de Fina Estampa, procure a Central de Atendimento à Mulher e que o personagem agressor seja responsabilizado. A idéia é usar a mesma novela que retrata a triste realidade de milhares de brasileiras para retratar também a solução. Nada de grandes vinganças envolvendo assassinatos e essas coisas que sempre acontecem nas novelas. Disque 180.

Sempre tem os críticos, mas um me chamou a atenção. Um tal professor de Comunicação da PUC-RJ, que,  nesta entrevista pra este site, com o argumento que funciona como supertrunfo no jornalismo: censura. “Isso é uma censura aberta. Tem tantas coisas mais importantes para a secretaria se preocupar, como o enfrentamento da violência contra a mulher, os assassinatos e a discriminação no trabalho”.

Este cara, que me parece muito mal formado enquanto profissional de comunicação (Deus me livre de tê-lo como professor), é apenas um entre aqueles que ignoram o poder das obras fictícias como as novelas, principalmente as transmitidas na emissora de maior audiência do país, de influenciar a opinião pública e de espalhar informações. Vivemos num país que tem mais domícilios com TVs que com banheiros (li a matéria faz tempo e não acho o link. Alguma boa alma compartilhar aqui nos comentários, por favor?).

Pois este é o fato que comprova o nosso argumento. Bastou a TV divulgar o 180 em um jornal (muito menos audiência uma novela) que fora do horário nobre (de novo, muito menos audiência), para congestionar as linhas. Imaginem quantas mulheres ficarão sabendo do 180 e tomarão coragem para ligar e denunciar seus agressores ao ver uma personagem da novela fazer o mesmo e ter o agressor punido?

Ou seja, senhor professor e senhores que pensam igual a ele: se preocupar com o que a TV comunica em relação às mulheres que sofrem agressão é, sim, de suma importância em um país em que, apesar de existir uma lei específica para protegê-las, as mulheres levam “em média 10 anos para tomar coragem e romper o ciclo de violência”, segundo a coordenadora da Central de Atendimento à Mulher, Jadilza Araújo.

Lembrando, novamente, que não se trata de uma imposição governamental à TV, vejam bem, mas de uma recomendação (muito da estratégica, já que gerou burburinho e muita mídia espontânea e fez com que o 180 chegasse aos ouvidos de mais gente). E recomendação bem aceita pela Globo, que respondeu ao ofício enviado pela ministra dizendo: “Entendemos que seu ofício não representa uma tentativa de coibir a liberdade de expressão, mas sim uma colaboração dentro do espírito de parceria que tem marcado nosso relacionamento. Na verdade, a sintonia é tamanha que sua sugestão chega quando os capítulos com desenvolvimento dessa trama em ‘Fina Estampa” já foram produzidos com boa antecedência. Como se trata de novela, tomo a liberdade de não antecipar esses desdobramentos para não frustrar os telespectadores. Mas com certeza a ficção e a liberdade de expressão estarão em consonância com que se espera, aí sim, no mundo real” (assinado por Luis Erlanger, CGCOM, Central Globo de Comunicação).

Vale lembrar que a Lei 11.340 protege a mulher de todo o tipo de violência. Violência física, sim, mas também:

– violência psicológica (ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir);

– violência sexual (obrigar a a fazer sexo contra sua vontade, não importando se é casada ou não, impedir a mulher de usar qualquer método contraceptivo, forçar a mulher a realizar aborto);

– violência patrimonial (retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos);

– violência moral (calúnia, difamação ou injúria).

Se você sofre algum tipo de violência do seu companheiro ou algum outro homem, tome coragem e denuncie no 180. As atendentes estão prontas para orientar você e a Rede de Atendimento à Mulher oferece  serviços de abrigamento, centros de referência, delegacias especializadas,  juizados especializados e defensorias públicas para acolher  e orientar às vítimas de violência doméstica.