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Legalização do aborto: argumentos pró-escolha

Legalização do aborto: por que sim?

Vamos falar de aborto?

Outro dia, uma pessoa muito querida e muito religiosa me perguntou no carro: “Cíntia, me explica O QUE VOCÊS QUE DEFENDEM O ABORTO PENSAM? Eu queria entender, de verdade”. Adorei a oportunidade de abrir o diálogo, e compartilho aqui com quem me lê e também queira ouvir/ler. Continue lendo

Mortes por aborto diminuem no Uruguai depois de legalização

Aborto no Uruguai. Foto: Beatrice Murch

Boa notícia para o pessoal que se declara “pró-vida“: o número de mortes causadas pelo aborto caiu no nosso vizinho Uruguai após a legalização do procedimento!

As mortes que foram evitadas, no caso, foram as das mulheres, que antes da legalização do aborto, morriam em consequência de procedimentos clandestinos feitos sem segurança.

Estas são as únicas mortes que o Estado consegue, de fato, evitar quando o assunto é aborto.

Afinal, mesmo quando o Estado usa a lei para proibir e punir o aborto, não consegue poupar a “morte” dos “bebês” já que, comprovadamente, as mulheres sempre dão um jeito de exercer soberania sobre seu próprio corpo e interromper gravidezes que não desejam (mesmo que isso as coloque em perigo de vida).

Então, antes de jogar pedra em em quem defende a legalização do aborto, querido “pró-vida”, pense nisso: direito ao aborto seguro preserva vidas e evita mortes.

É por isso que você luta, certo? Pela preservação da vida e contra mortes desnecesárias? Ou por acaso você só é a favor da vida no nome?

(Ah, vale registrar também que a legalização do aborto no Uruguai não aconteceu sozinha. Como acontece em todos os países em que a prática é legalizada, ela fez parte de toda uma política de educação sexual focada em diminuir também a prática do aborto ao dar mais acesso a métodos anticoncepcionais e educando a população em relação a planejamento familiar.).

Foto: Beatrice Murch, no Flickr.

A favor da vida… de quem?

Mães pró-escolha

“Mãe, por escolha e pró-escolha”

Acabei de ler que caminha na Câmara o projeto de lei medonho que pretende  incluir o aborto ser na lista de crimes hediondos no Brasil e estou absolutamente chocada.

Basicamente, o projeto de lei Projeto 478/07, chamado de Estatuto do Nascituro (íntegra aqui) transforma toda interrupção da gravidez (inclusive em casos de estupro, risco de vida para a grávida e anencefalia do feto, que hoje em dia é permitida por lei) em crime passível de pena de até três anos na cadeia e defender publicamente o direito de abortar, um crime passível de até 1 ano de prisão.

Quem está propondo e defendendo esse projeto de lei são as pessoas que se dizem “a favor da vida“. Juro que não entendo vocês.

Primeiro, vocês se juntam aos milhares em Brasília para protestar contra o direito de uma mulher abortar quando não deseja continuar a gravidez e não deseja ter o bebê – seja porque corre risco de vida, porque a gravidez foi uma das consequências de um abuso sexual, porque carrega um bebê anencéfalo e não quer passar por nove meses de gravidez para ver a criança morrer em questão de horas, porque não tem condições financeiras ou porque não tem o menor desejo de ser mãe naquele momento da vida.

“Tadinho do bebê, deixem ele nascer, não tirem a vida dele, ele não tem que pagar pelo fato de seu pai ter estuprado sua mãe e ela não querer nenhuma lembrança daquele dia! E dá um salário mínimo pago pelo estuprador (apesar de ela não querer ter o menor contato com ele nunca mais na vida) pra ela não reclamar que tá faltando dinheiro… E por que matar o bebê para salvar a vida da mãe? Deixa Deus decidir quem vai morrer naturalmente! E se a mãe não tem desejo de ter filhos ou não tem condições financeiras de criar, deveria ter pensado nisso antes de engravidar, e, mesmo assim, ela pode dar o filho para adoção.”

Aí os bebês nascem e as famílias sem condições financeiras recebem auxílio do Governo baseado no número de filhos (como o Bolsa Família) e vocês reclamam dessa “vagabundagem”, não querem ver o “dinheiro dos seus impostos” sendo dado como “esmola para gente que só sabe fazer filhos”.

Depois, alguns desses bebês cuja vida vocês defenderam com tanto afinco, crescem num ambiente totalmente desajustado (com uma mãe que não os quis ter, ou sem mães, órfãos largados na rua ou esquecidos em algum orfanato) e alguns deles ingressam no crime, e aí vocês querem reduzir a maioridade penal e jogar todos na cadeia o quanto antes.

E, por fim, não querem que o governo gaste nem mais um centavo com esses meninos prisioneiros e riem do povo dos direitos humanos que denunciam condições precárias nas casas de correção e cadeias.

Ai eu lhes pergunto, meus queridos: vocês são a favor da vida de quem? Da mãe que não é… da criança, aparentemente, também não, porque assim que ela nasce, deixa de ser objeto da preocupação de vocês. Da vida de vocês, talvez?

Porque filho na barriga do outro é refresco, né? Continue lendo