Arquivos da categoria: homofobia

Sobre “cura gay”, bissexualidade e sair do armário

Cura gay é meuzovo, gente. Tchu contar uma coisinha aqui.
Tava aqui lendo a hashtag #quandomedescobriram, em que gays contam sobre como foi difícil o momento em que sua homossexualidade foi descoberta. Normalmente, na adolescência, e quase todos relatam esforços de seus familiares para “curá-los”. Continue lendo

Gay pride flag with a heart.

Feliz Mês do Orgulho LGBTQIA

Estamos no mês do Orgulho “Gay” (já explico essas aspas aí).

Vejo gente torcendo o nariz e questionando o porquê do termo “orgulho”. O que tem pra se orgulhar em relação à orientação sexual ou identidade de gênero? Por que se fala em orgulho gay como algo positivo e em orgulho hétero como algo negativo?

Pois bem, acordei com vontade de falar do assunto. Continue lendo

Os cristãos, a ditadura gay e o que fazer

Amigo cristão,

Escrevo para você por conta desse tal vídeo do Boticário de Dia dos Namorados que mostra casais gays, e pelas pessoas que estão convocando os cristãos a criticarem o vídeo publicamente e a fazer um boicote à marca.

Eu te convido deixar os gays em paz.

Primeiro porque Continue lendo

Homofobia mata

A homofobia mata

Você aí que fica insistindo no seu direito de discriminar homossexuais, que fala que é questão de opinião, que se incomoda quando vê um casal gay de mãos dadas no shopping, que acha que eles tinham é que guardar demonstração de afeto pra própria intimidade, que fala em ditadura gay. Você é uma das pessoas que dá força para a intolerância que leva a isso aqui. Continue lendo

A “cura gay” mata

Homofobia mata

O senhor inFeliciano, comemorando que todos os olhos do Brasil estão voltados para a questão do transporte público, aproveitou para marcar para hoje a votação do projeto de lei que legaliza no Brasil o tratamento de “cura gay”  por psicólogos que é proibido desde 1999.

O Projeto de Decreto Legislativo nº234/11 (íntegra aqui) que será votado hoje propõe retirar o parágrafo único do Art. 3º e o Art. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999, que proíbe que os psicólogos tratem homossexualidade como doença, adotem “ação coercitiva tendente a orientar  homossexuais para tratamentos não  solicitados”, proponham ou apóiem (publicamente ou não) “tratamento e cura das homossexualidades”.

Antes que vocês comecem a defender essa possibilidade, dizendo que “se a pessoa quer mudar, ela deveria poder receber ajuda”, gostaria de lembrá-los que a “cura gay” mata.

Esse “tratamento” submete o homossexual a anos de rejeição e tortura psicológica e leva muitos, mas muitos ao suicídio.

A maioria das pessoas submetidas ao “tratamento” da “cura gay” são jovens cristãos gays, internados à força pelos pais ou coagidos em um momento muito frágil, que é quando descobrem que sentem atração por pessoas do mesmo sexo e acham que vão para o inferno por isso. Eles ouvem que sua natureza é pecaminosa, nojenta, abominável e aprendem a se odiar.

Chega sempre o dia em que o jovem cristão gay percebe que sua natureza não vai mudar. Para alguns, isso leva à auto-aceitação e a uma ruptura com a igreja e a família que o rejeitam e se recusam a aceitá-lo como Deus o fez. Infelizmente, porém, para muitos outros, essa constatação leva ao desespero e à morte auto induzida, como aconteceu com este rapaz ou o personagem do filme acima.

Chega de empurrar jovens gays para a cova!!! Aproveitem esse sangue fervente coletivo que tomou os brasileiros nestes últimos dias e façam barulho!!

Homossexualidade não é doença! O que precisa de cura é a homofobia!! Abaixo a “cura gay”, abaixo o Feliciano, viva o amor e a tolerância!!

Update em 19/06/2013: infelizmente, a comissão deu parecer favorável a esse projeto monstro de lei, para a tristeza do Conselho Federal de Psicologia. Isso não significa que tenha sido aprovado (ainda vai passar por outras comissões), mas mostra que é preciso mais pressão, mais barulho, mas gente gritando a favor do respeito à diversidade.

Porque você, cristão sério, deveria ouvir o que os cristãos gays tem a dizer

Igreja inclusiva: um refúgio para os cristãos gays. Foto: NickShindoStreet.

Foto: Nick Shindo Street.

Estava aqui preparando um post para contar como posso eu, como cristã (convertida, praticante, temente a Deus, criada na igreja batista e bem educada em relação à Bíblia), defender a homossexualidade e homoafetividade dentro da igreja, quando li a notícia de que a Igreja Cristã Contemporânea abriu uma sede em São Paulo e lotou o templo no culto de inauguração (é a primeira igreja evangélica gay friendly de São Paulo).

Meus amigos postaram e comentaram a notícia chocados e tristes.

Pois usarei este gancho para lhe pedir que reveja seus conceitos, querido leitor cristão.

Existe algo chamado “teologia inclusiva“, que é uma vertente de estudos que, entre outras coisas, defende que a Bíblia não condena a homossexualidade, e que os versículos que o fazem foram, na verdade, traduzidos de forma equivocada das escrituras sagradas (tem muitas informações sobre a teologia inclusiva neste blog, escrito por um teólogo e pastor, e leva a reflexão pra muito além do “eu acho”).

Antes de gritar “heresia!”, de mandar “amarrar em nome de Jesus”, de dizer que é coisa do demônio e de apedrejar, eu rogo que você ouça o que eles têm a dizer…  Continue lendo

Manifesto contra a defesa da homofobia

Deus ama Gays
Ouviram a última do Mackenzie? A universidade publicou em seu site um manifesto contra o Projeto de Lei 122 (veja aqui o andamento e aqui a íntegra) que, se aprovado, tornará crime a homofobia.

No texto, o chanceler Augustus Nicodemus Gomes Lopes, líder da instituição mantenedora da universidade (Instituto Presbiteriano Mackenzie), se posiciona em nome da Igreja Presbiteriana do Brasil, “Associada Vitalícia do Mackenzie” (ínegra aqui):

“A Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais“.

Acho engraçado ele dizer que pregar contra a homossexualidade não é homofobia.

Educar uma comunidade dizendo que é errado ser gay e que a homossexualidade não deve ser aceita dentro de casa ou do templo é a definição exata de homofobia. Preparar a comunidade para se escandalizar diante de um casal gay trocando um beijo no shopping é semear a homofobia. Dizer a um jovem cristão que se descobre gay que ele deve abandonar sua homossexualidade (?) e orientá-lo a viver uma vida dentro do armário (forçar-se a ser hetero) é, sim, homofobia.

Acho engraçado, também, essa atitude reacionária de tentar virar a mesa e se fazer vítima. Essa postura de dizer que a lei que criminaliza a homofobia cerceia meus direitos.

Quer dizer, tudo bem que os gays não tenham direito de oficializar seus casamentos nem adotar crianças. Tudo bem que não possam andar de mãos dadas em qualquer rua sem serem hostilizados. Que morra um gay a cada dois dias no Brasil vítimas da intolerância. O que não é certo é que eu não tenha o direito de dizer em alto e bom som que acho que eles estão errados e devem mudar.

Também acho engraçado esse argumento de que os gays não precisam de uma lei específica para protegê-los de preconceito, já que existe uma que garante os direitos de todos. Por acaso o chanceler é contra a lei Maria da Penha e lei anti-racismo, leis semelhantes que criminalizam o preconceito e a violência contra grupos específicos?

E essa de qualquer cidadão poder expressar suas crenças religiosas? Foram pessoas como o chanceler que defenderam a liberdade de expressar sua crença de que judeus e negros são cidadãos de segunda classe, baseando-se em passagens bíblicas, na época da escravatura e do Holocausto.

Agora, o que eu não acho nada engraçado é uma universidade conceituada publicar esse tipo de posicionamento homófobico para servir de “orientação à comunidade acadêmica”.

Aí vocês me dizem, Cíntia, o Mackenzie é uma universidade particular mantida por uma instituição religiosa. Tem todo o direito de se posicionar como quiser.

Por que, então, na hora de selecionar os alunos que pagarão quatro anos de mensalidades salgadas o Mackenzie não faz questão de se posicionar? Por que aceita ateus, gays, pessoas que fazem sexo antes do casamento?

Se dentro do Mackenzie o cristianismo parou no tempo, dentro das famílias de seus fundadores, a realidade é outra.

Eu, como tataraneta do reverendo Matatias Gomes dos Santos, um dos fundadores da Igreja Presbiteriana do Brasil que dá nome a um auditório do Mackenzie, venho aqui me manifestar a favor do PL 122, contra a homofobia, a favor dos direitos civis dos homossexuais e a favor de uma igreja inclusiva.

Foto: Gay Guide Toronto.

Update: todo Projeto de Lei é acompanhado por uma justificativa. A do PL 122, que se encontra no fim da sua íntegra, diz que “Não trata-se aqui de defender o que é certo ou errado. Trata-se de respeitar as diferenças e assegurar a todos o direito de cidadania.” Assino embaixo.

Vai melhorar

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(versão com tradução aqui)

Esse vídeo (via Gizmodo) me lembrou aquela cena de Milk – a voz da igualdade em que um adolescente liga pro protagonista e diz que está pensando em se matar, porque sua família quer interná-lo em um hospício por ser gay e ele não pode sequer fugir, porque é paraplégico. De rasgar o coração.

Dedico esse vídeo a todos meus amigos da igreja que são gays, assumidos ou não, e sofrem dentro e fora de casa. Vai melhorar.