Arquivos da categoria: Feminismo

Sobre traições, destruidores de lares e terceiros

Lá no Big Brother, um tal de Fernando, comprometido com uma tal de Aline (já eliminada e fora da casa), ficou com uma tal de Amanda lá dentro.

BBB 15: Fernando e Amanda transando

Aí a gente vai olhar os comentários, e o que tem? Um monte de gente tacando pedra na tal da Amanda. Continue lendo

LuluzinhaCamp, março de 2015: o que teve

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LuluzinhaCamp é um encontro de mulheres que curtem internet, tecnologia e feminismo. Todo ano, a gente se reúne pra bater papo, trocar experiências, conhecer gente nova e aprender, aprender, aprender. Como dizem os queridos do Morri, se você perdeu, te conto “o que teve”.

Teve oficina de estilo com a linda da Érica Mirchin. Amei as dicas sobre como combinar seu estilo pessoal com o dress code do ambiente e Continue lendo

E o Oscar vai para… igualdade!

O melhor momento do Oscar 2015, pra mim, foi o discurso da Patricia Arquette. A vencedora da estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante pediu igualdade para mulheres no ambiente de trabalho.

“Chegou a hora de termos salários iguais, de uma vez por todas, e igualdade para mulheres no ambiente de trabalho”.

Adoro ver o feminismo se tornando parte de grandes eventos como esse. Problemas como este precisam do máximo de atenção possível. Quando alguém usa um momento como esse para trazê-los à tona, dá uma mega força para fazer com que realidades como mulheres recebendo salários menores que homens se tornem inaceitáveis e vergonhosas.

Como diria Meryl Streep would say, vai com tudo, fia!

Cantada de rua e assédio em campanha da Bare Minerals numa maratona feminina da Nike em Nova York.

“Oi, princesa” o meu cu

Ando me preocupando com a minha saúde e minha forma, e resolvi que preciso praticar mais atividade física.

Moro perto da Sumaré, onde tem uma ciclo-pedestre-faixa, um corredorzão de uns 3km que muita gente usa – de dia e de noite – pra correr, pedalar ou caminhar.

Ontem, resolvi descer do ônibus no começo da avenida e continuar o caminho a pé. O Le foi comigo, pedalando. Às vezes a gente emparelhava e ia conversando, e algumas horas, ele ia pedalando até lá na frente e voltava.

Numa dessas idas dele pra lá, dois minutos desacompanhada foram suficientes para que dois homens mexessem comigo. Eram caras que, como eu, estavam lá pra fazer seu exercício diário. Dois babacas que acharam que “ah, que que tem comentar” e me aborreceram.

É claro que, quando estava acompanhada, ninguém me dirigiu a palavra. Esse tipo de homem sempre acha que deve respeito a outros homens, né. Nunca mexem com mulher que está com macho do lado, porque tem “dono”. Agora, se estiver sozinha, tá na pista. Saiu na chuva pra se molhar, saiu na rua pra chamar a atenção dos homens (afinal, que outro motivo uma mulher teria pra sair sozinha na rua?? Fazer exercício? Ir ao mercado? Se locomover do ponto A ao ponto B? Tudo desculpinha… A porra do mundo gira em torno do pinto deles). Continue lendo

A história da mãe que deixou o filho ir morar com pai

Mãe e filho: ele mora com o pai. Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA.Faz muito tempo que não vejo a Fabiana, desde quando éramos estagiárias. Uma querida, gente boníssima. Hoje encontrei este texto em que ela abre o coração sobre porque seu filho, o João, foi morar na casa do pai, e tive vontade de ir lá dar um abraço apertado.

Ela e o ex-marido tomaram a decisão de maneira bem sóbria e prática, considerando situação financeira e familiar, entre outras coisas explicadinhas na matéria. Sentaram, conversaram e concluíram que seria melhor para o filho morar com o pai. Continue lendo

Quando um homem sofre com assédio e cantada na rua

O post em que eu explico porque mulher não gosta de cantada na rua viralizou essa semana. E, como era de se esperar, estou recebendo um milhão de comentários, entre mulheres que se identificaram com o texto, homens sem noção achando que estamos todas mentindo ou exagerando e gente refletindo sobre como elogiar alguém de um jeito legal e não invasivo.

Muitos compartilharam comigo este vídeo, que coloca um homem no lugar de uma mulher e mostra o tipo de incômodo que a gente sofre diariamente, e também um tipo de violência que, infelizmente, já aconteceu com muitas de nós. Continue lendo

Chega de salto alto!

Sofrer para ficar bonita: por quê?

Eu tinha uns dezesseis anos quando ouvi um dos piores conselhos da minha vida. “A gente passa frio, mas não perde a pose”, me disse a mãe de um amigo, quando, num aniversário eu e umas amigas estávamos na dúvida entre vestir uma blusa que não combinava com o vestido ou aguentar o frio mais um pouco até que nossa amiga terminasse seu cigarro e a gente pudesse voltar para o salão de festas.

Não lembro o nome do aniversariante, nem a roupa que usei, nem a idade exata que eu tinha. Mas esse conselho me martela a cabeça desde então, principalmente em relação a sapatos de salto alto.

Por que raios a gente acha (e aceita, vive, ensina, defende) que é preciso aceitar certos sofrimentos em nome da beleza? Por que, meu Deus, a gente acha que ser bonita é um dever, e que há um preço a ser pago para “merecer” ser bonita?

Salto alto é símbolo de poder feminino, o que é uma grande contradição. Até o mais confortável dos sapatos de salto alto machuca pra cacete e, pergunte pra qualquer ortopedista, faz um mal danado pros nossos pés e coluna se usado com muita frequência. Executivas bem-sucedidas, super-heroínas, belas do Carnaval, tudo usando salto-alto para ficar de pé o dia todo, correr atrás de bandido, sambar por horas e horas… O negócio é tão sério que existe toda uma tradição de distribuir chinelos para convidadas em casamentos na hora da pista de dança como recompensa por ter aguentado usar sapatos lindos até então (em vez de a gente usar sapatos confortáveis, sabendo que vai ficar de pé e dançar). Salto alto pra mim é sinônimo de penitência.

Depilação, roupa apertada, sapato que aperta a joanete, bolsa ou sutiã que machucam os ombros, tratamentos doloridos anti-celulite… A quantas dores a gente se submete pra ficar bonita? Sem falar nos incômodos cotidianos, como viver de dieta para tentar perder três quilinhos, ir ao cabeleireiro toda hora retocar a raiz ou fazer alisamento.

Por outro lado, tudo que é confortável é brega ou não é feminino o suficiente. Moletom é sinal de derrota. Tênis é coisa de adolescente, sapatilha é sapato informal. Trabalhar sem maquiagem é quase um desrespeito. Bad hair day? Melhor nem sair de casa…

Sofrer para ficar linda é coisa de mulher, a gente aprende desde cedo. E é tão enraizado que, quando conhecemos alguma mulher que não se submete a algum desses rituais, já sabemos que nome dar: desleixada. A gente sabe que, se ela não se cuida, não vai poder depois reclamar quando o marido for procurar outra (isso se conseguir arrumar um marido! Quem vai querer uma desleixada?). Nós não queremos ser essa mulher, queremos ser aquela outra, linda, sedutora, poderosa.

Não consigo pensar em nada dolorido a que os homens “tenham” que se submeter para serem considerados atraentes por nós. Talvez malhar (e os que não malham são muito mais bem-aceitos e menos julgados que as “desleixadas”), ou usar gravata (que não é nada perto de uma meia-calça enforca-cintura que eu sei que você aí já usou). Fazer a barba? A não ser que seja com cera-quente, não vejo paralelo. Para eles, me parece que existe mais uma necessidade de se provar homem trabalhando, ganhando dinheiro, sendo viril. Mas trabalham com ternos confortáveis, em sapatos confortáveis, sem usar maquiagem, sem comer saladinha no almoço. E isso é ruim? É nada, bom pra eles…

Nunca falei sobre isso com minhas amigas feministas, nem nunca li nada a respeito sob esse olhar, mas tenho a sensação de que existe algo opressor nessa cultura dos sacrifícios pela beleza.

Aguentar dor por mérito é coisa de mártir, e não consigo ver sentido em sermos mártires em nome da beleza. Por outro lado, não ser totalmente racional e rejeitar tudo aquilo que me causa dor ou sofrimento para ficar bela.

Isso não é bem um manifesto, é mais um desabafo. Eu só queria ser livre e bonita ao mesmo tempo. Será que é tão difícil?

Não consegui resolver essa equação na minha vida, mas tenho feito meus avanços. E me sinto reconfortada quando vejo algo como essa imagem do post, uma poderosíssima atriz hollywoodiana jogando os carésimos saltos altos pra trás e fazendo campanha por sapatos mais confortáveis. Tamo juntas, Emma Thompson! <3

Intimidade exposta na internet. Arte de Vizy na Etsy.

Como evitar que fotos íntimas “caiam na net” ou fazer com que parem de circular

“Deixa eu fazer um filminho, vai…”, “Fica entre nós!”, “Você não confia em mim?”, “Não vou mostrar pra ninguém, juro pelo nosso amor!”.

Um belo dia, o amor se vai e a promessa vai junto. Aí, o horror: aquelas fotos íntimas, aquele vídeo amador, aquelas cenas tórridas de um momento em quatro paredes (momento no qual a confiança mútua fez com que todo pudor fosse colocado de lado para dar lugar ao prazer), aquilo tudo “cai na net” (como dizem por aí quando imagens são publicadas sem autorização de uma – ou mais – das partes).

A vergonha toma conta, o medo domina. Quem já viu? Quem vai ver? Já chegou na família, nos amigos, no escritório? Como fazer parar??

Pois bem, existem duas formas totalmente eficientes de evitar que imagens íntimas caiam na net ou fazer com que parem de circurlar.

A primeira é: não divulgue imagens íntimas sem autorização.

Não importa se sua namorada te traiu, se acabou o namoro com você, se você nunca gostou dela mesmo nem se você só queria mostrar pros amigos como anda bem servido na cama. Se a menina que você mal conheceu na balada te deixou tirar uma foto. Não passe para frente o que não foi explicitamente autorizado.

A segunda é: não faça esse tipo de imagens circular. Se você recebeu fotos de uma colega do trabalho pelada (e não foi ela quem te mandou), não abra. Se o cara do TI descobriu um vídeo de sexo no computador da ex-estagiária, não assista nem repasse o e-mail (aliás, seja melhor que isso: repreenda e denuncie para o RH).

Não interessa que todo mundo esteja vendo e compartilhando, você não tem o direito de “vazar”, assistir ou fazer circular imagens íntimas sem autorização.

Não interessa se a menina fez por amor ou safedeza, se sabia que estava sendo filmada ou não, se estava bêbada ou sóbria. Nada disso justifica que sua intimidade seja violada (no momento em que as imagens “vazam” e a cada vez que alguém mais tem acesso a elas e as passa pra frente).

É apenas isso que pode evitar que imagens íntimas caiam na net ou fazer com que parem de circular.

Achou que eu ia dar dicas do tipo “não se deixe filmar”, “não confie no seu namorado”? Jamais. É descabido querer ensinar a vítima a fugir do crime.

Não existe nada errado em fazer sexo nem em ter prazer em registrar imagens junto com o(s) parceiro(s) quando há consentimento de todos os envolvidos. Pedir que as pessoas deixem de sentir prazer da maneira que gostam (insisto: quando há consentimento entre as partes) é de um moralismo sem tamanho. E é totalmente ineficiente, já que o problema de verdade (que é a pessoa que acha que pode espalhar por aí aquilo que os outros lhe confiaram na privacidade, seja lá por qual motivo furado inventar), continua existindo.

Imoral e vergonhoso é expor, julgar e atormentar as pessoas pela ousadia que tiveram de dar e se dar prazer. É trair a confiança de alguém só porque o relacionamento acabou, usar cenas íntimas como arma de vingança.

PS: Claro que tudo isso vale também para imagens íntimas de meninos, mas é que, infelizmente, a força das circunstâncias me faz focar este texto nos casos envolvendo a intimidade de garotas.

PS2: se você é uma garota e se tornou uma vítima desse tipo de violação, em primeiro lugar gostaria de te pedir que não se machuque e te dizer que você não fez nada de errado. Em segundo lugar, não passe por isso sozinha. Apesar de ser difícil enquadrar esse tipo de coisa como crime (como pretende o Projeto de Lei 6630/2013), se a pessoa que está fazendo isso com você também estiver fazendo chantagem ou ameaças, isso se enquadra na Lei Maria da Penha. Procure uma delegacia (se possível, uma Delegacia da Mulher) e faça um boletim de ocorrência!

A arte que ilustra o post é uma obra da Vizy, à venda na Etsy.