Bela, recatada e do lar: matéria machista da Veja sobre Marcela Temer.

Qual o problema com “bela, recatada e do lar”?

A revista Veja publicou um perfil de Marcela Temer, esposa do vice-presidente do Brasil, Michel Temer, entitulada “Bela, recata e ‘do lar’” (aqui). A internet está em polvorosa e as mulheres estão todas protestando. Afinal, qual é o problema dessa matéria?

Em primeiro lugar, é importante lembrar que não há nenhum problema em alguém ser bela, recatada e/ou “do lar”. Marcela e todas nós somos livres pra ser quem quisermos e como quisermos.

O problema sério é a mídia pintar esse retrato dela como a mulher exemplar, ocupando o lugar certo da mulher na política: quietinha, apoiando um homem e sendo decorativa (para usar a expressão usada pelo próprio Temer em outra ocasião). Em especial quando, recentemente, vimos uma revista estampar uma foto da presidenta Dilma chamando-a de louca e histérica, questionando sua estabilidade emocional para exercer o cargo.

Esse contraste não é a toa. Que mulher nunca foi alvo dessas comparações escrotas? Desses que dizem que coisa de mulher é cuidar da beleza, não chamar a atenção, não ser uma vergonha para o marido, ser a responsável pela casa (ainda que trabalhe, e que seja casada com um adulto, o cuidado com o “lar” é cobrado sempre dela), cuidar da família antes de mais nada?

Como bem disse a Gabi, a intenção da revista é ensinar o que é uma boa mulher.

Ser bela, recatada e “do lar”, historicamente, não é questão de opção, mas de imposição. Estas são características que a sociedade machista exige de nós apenas por sermos mulher. Esta exigência nos limita ao espaço privado do lar e à discrição, limita nossas vontades políticas, nossa voz, nossa maneira de nos vestir, nossa liberdade sexual.

Louvar essas qualidades parece um elogio a esta mulher específica, mas é, na verdade, uma crítica a todas as outras que não são “perfeitas” segundo os conceitos machistas.

O valor de uma mulher não está na sua aparência física, em ser discreta, na maneira como expressa ou não sua sexualidade, nas roupas que usa, nas habilidades domésticas, familiares ou profissionais. É por isso que estamos reclamando.

Vai ter belas de todos os tipos (e não só jovens, loiras, magras e ricas), recatadas e desbocadas, discretas, escandalosas, com vestidos na altura do joelho, mini-saia e calças, do lar, da carreira, do púpito, da vida. Vai ter mulher em casa e também na rua, na política, na sua empresa, na cozinha, no governo e na igreja. Lugar de mulher é onde ela quiser!

Fica aí uma reflexão feita pelo Think Olga: o marido da Rainha da Inglaterra, colocado no mesmo papel que a esposa do nosso vice-presidente, mostra com quanto sexismo a mídia trata as mulheres.

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